Bolsas de Europa e Estados Unidos sobem forte com reabertura de Ormuz
O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em alta de 1,56%. Em Nova York, indicadores avançam
atualizado
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Os principais índices das bolsas de valores da Europa fecharam em alta, nesta sexta-feira (17/6), em meio a uma onda de otimismo que tomou conta dos mercados globais após a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, o que diminuiu as tensões no Oriente Médio e derrubou os preços internacionais do petróleo.
Também nesta sexta, as bolsas de valores de Nova York operavam com forte valorização, impulsionadas pelo aumento da percepção de que Estados Unidos e Irã podem chegar em breve a um acordo de paz que encerraria os conflitos na região.
Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Europa fecha no azul
- O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em alta de 1,56%, aos 626,58 pontos.
- Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX terminou o dia com fortes ganhos de 2,25%, aos 24,6 mil pontos.
- Em Londres, o FTSE 100 encerrou o pregão com valorização de 0,73%, aos 10,6 mil pontos.
- O CAC 40, da Bolsa de Paris, fechou o dia em alta de 1,97%, aos 8,4 mil pontos.
- O Ibex 35, de Madri, também encerrou a sessão no azul, avançando 2,18%, aos 18,4 mil pontos.
Nova York opera em forte alta
- Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos EUA operavam com fortes ganhos na tarde desta sexta-feira.
- Por volta das 14h30 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones avançava 1,93%, aos 49,5 mil pontos.
- No mesmo horário, o S&P 500 registrava valorização de 1,18%, aos 7,1 mil pontos.
- O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, avançava 1,32%, aos 24,4 mil pontos.
Irã anuncia reabertura de Ormuz
O Irã anunciou, por meio do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, a reabertura do Estreito de Ormuz, durante o período de cessar-fogo entre Israel e o Líbano.
A principal rota de petróleo do Oriente Médio estava fechada para a passagem de embarcações desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Com a medida, navios poderão navegar livremente no período do cessar-fogo.
“De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã”, disse Araghchi em comunicado.
Nas negociações diplomáticas entre EUA e Irã do último fim de semana, uma das exigências do Irã era que o cessar-fogo no Oriente Médio incluísse o território libanês, que sofreu com ataques israelenses desde o início do mês.
Trump exige que Hezbollah “se comporte” durante cessar-fogo
As tensões no Oriente Médio e sua influência sobre os preços internacionais do petróleo continuam ditando o ritmo do mercado e chamando atenção dos investidores. O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu que o grupo terrorista Hezbollah “se comporte bem” durante o cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, anunciado nessa quinta-feira (16/4).
O comentário do republicano foi feito em meio a tentativas de reduzir a escalada no Oriente Médio e abrir espaço para negociações mais amplas com o Irã.
“Espero que o Hezbollah se comporte bem e de forma correta durante este período importante. Será um grande momento para eles se o fizerem. Chega de mortes. Precisamos finalmente de paz!”, escreveu Trump em publicação na rede Truth Social.
A fala do presidente norte-americano reforça a pressão para que o grupo militar respeite a trégua, considerada peça-chave para evitar novos confrontos na região e viabilizar avanços diplomáticos.
Paquistão celebra trégua entre Israel e Líbano
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, celebrou, nesta sexta-feira, o cessar-fogo entre o Líbano e Israel. Sharif, que tem sido um interlocutor nas negociações entre EUA e Irã, disse que os esforços diplomáticos de Trump foram “ousados e sagazes” e facilitaram o acordo. O líder paquistanês também afirmou esperar que a trégua abra caminho para uma paz sustentável.
“Acolho com satisfação o anúncio de um cessar-fogo no Líbano, facilitado por ousados e sagazes esforços diplomáticos liderados pelo presidente Donald Trump, e expresso a esperança de que ele abra o caminho para uma paz sustentável. O Paquistão reafirma seu apoio inabalável à soberania e à integridade territorial do Líbano, e continuará a apoiar todos os esforços voltados para uma paz duradoura na região”, disse.
O Paquistão tem tentado intermediar as negociações entre os EUA e o Irã para que a guerra chegue ao fim. Um cessar-fogo de duas semanas entre os dois países está em vigor. Ao anunciar a trégua, o Paquistão chegou a anunciar que o Líbano também estava incluído, o que foi desmentido pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, posteriormente.
Líbano acusa Israel de violar cessar-fogo
O Exército do Líbano acusou Israel de violar o cessar-fogo poucas horas após a trégua entrar em vigor, na madrugada desta sexta-feira, pelo horário local. Segundo os militares libaneses, bombardeios intermitentes atingiram diversas aldeias no sul do país, colocando em xeque a sustentação do acordo.
Em comunicado, as Forças Armadas libanesas afirmaram ter registrado “uma série de atos de agressão” por parte de Israel. Diante do cenário, o Exército orientou a população a adiar o retorno às cidades e aos vilarejos do sul, área mais afetada pelos confrontos recentes.
O cessar-fogo foi mediado pelos EUA e costurado em Washington com participação de autoridades israelenses e libanesas. O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou a trégua como um ponto de partida para negociações diretas com Israel.
Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já havia indicado que manterá tropas em áreas estratégicas do sul do Líbano, mesmo durante a pausa nos combates – um dos pontos de tensão do acordo. No entanto, não estavam permitidos atos de agressão durante o período da trégua.
