Dólar cai a R$ 4,95 com reabertura do Estreito de Ormuz. Bolsa recua
Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,02%, cotado a R$ 4,993, quase estável. Ibovespa recuou 0,46%, aos 196,8 mil pontos
atualizado
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O dólar operava em queda, nesta sexta-feira (17/4), na última sessão da semana, na qual o mercado financeiro continua de olhos voltados para o Oriente Médio, com a trégua no conflito entre Israel e Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz e as negociações entre Estados Unidos e Irã em torno de um possível acordo de paz.
Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Outro destaque do dia são os compromissos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que inicia uma viagem oficial pela Europa com foco em acordos comerciais, cooperação estratégica e parcerias em minerais críticos, incluindo terras raras. A viagem inclui passagens por Espanha, Alemanha e Portugal ao longo de cinco dias.
Dólar
- Às 12h49, o dólar caía 0,23%, a R$ 4,982.
- Mais cedo, às 11h01, a moeda norte-americana recuava 0,62% e era negociada a R$ 4,962.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,991. A mínima é de R$ 4,95.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,02%, cotado a R$ 4,993, praticamente estável.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,59% frente ao real no mês e de 9,03% no ano.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), passou a operar em queda no pregão, após o Irã ameaçar um novo fechamento de Ormuz e sob pressão da queda nas ações da Petrobras.
- Às 12h53, o Ibovespa recuava 0,33%, aos 196,1 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em baixa de 0,46%, aos 196,8 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 4,99% em abril e de 22,15% em 2026.
Irã anuncia reabertura de Ormuz
O Irã anunciou, por meio do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, a reabertura do Estreito de Ormuz, durante o período de cessar-fogo entre Israel e o Líbano.
A principal rota de petróleo do Oriente Médio estava fechada para a passagem de embarcações desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Com a medida, navios poderão navegar livremente no período do cessar-fogo.
“De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã”, disse Araghchi em comunicado.
Nas negociações diplomáticas entre EUA e Irã do último fim de semana, uma das exigências do Irã era que o cessar-fogo no Oriente Médio incluísse o território libanês, que sofreu com ataques israelenses desde o início do mês.
Trump exige que Hezbollah “se comporte” durante cessar-fogo
As tensões no Oriente Médio e sua influência sobre os preços internacionais do petróleo continuam ditando o ritmo do mercado e chamando atenção dos investidores. O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu que o grupo terrorista Hezbollah “se comporte bem” durante o cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, anunciado nessa quinta-feira (16/4).
O comentário do republicano foi feito em meio a tentativas de reduzir a escalada no Oriente Médio e abrir espaço para negociações mais amplas com o Irã.
“Espero que o Hezbollah se comporte bem e de forma correta durante este período importante. Será um grande momento para eles se o fizerem. Chega de mortes. Precisamos finalmente de paz!”, escreveu Trump em publicação na rede Truth Social.
A fala do presidente norte-americano reforça a pressão para que o grupo militar respeite a trégua, considerada peça-chave para evitar novos confrontos na região e viabilizar avanços diplomáticos.
Paquistão celebra trégua entre Israel e Líbano
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, celebrou, nesta sexta-feira, o cessar-fogo entre o Líbano e Israel. Sharif, que tem sido um interlocutor nas negociações entre EUA e Irã, disse que os esforços diplomáticos de Trump foram “ousados e sagazes” e facilitaram o acordo. O líder paquistanês também afirmou esperar que a trégua abra caminho para uma paz sustentável.
“Acolho com satisfação o anúncio de um cessar-fogo no Líbano, facilitado por ousados e sagazes esforços diplomáticos liderados pelo presidente Donald Trump, e expresso a esperança de que ele abra o caminho para uma paz sustentável. O Paquistão reafirma seu apoio inabalável à soberania e à integridade territorial do Líbano, e continuará a apoiar todos os esforços voltados para uma paz duradoura na região”, disse.
O Paquistão tem tentado intermediar as negociações entre os EUA e o Irã para que a guerra chegue ao fim. Um cessar-fogo de duas semanas entre os dois países está em vigor. Ao anunciar a trégua, o Paquistão chegou a anunciar que o Líbano também estava incluído, o que foi desmentido pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, posteriormente.
Líbano acusa Israel de violar cessar-fogo
O Exército do Líbano acusou Israel de violar o cessar-fogo poucas horas após a trégua entrar em vigor, na madrugada desta sexta-feira, pelo horário local. Segundo os militares libaneses, bombardeios intermitentes atingiram diversas aldeias no sul do país, colocando em xeque a sustentação do acordo.
Em comunicado, as Forças Armadas libanesas afirmaram ter registrado “uma série de atos de agressão” por parte de Israel. Diante do cenário, o Exército orientou a população a adiar o retorno às cidades e aos vilarejos do sul, área mais afetada pelos confrontos recentes.
O cessar-fogo foi mediado pelos EUA e costurado em Washington com participação de autoridades israelenses e libanesas. O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou a trégua como um ponto de partida para negociações diretas com Israel.
Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já havia indicado que manterá tropas em áreas estratégicas do sul do Líbano, mesmo durante a pausa nos combates – um dos pontos de tensão do acordo. No entanto, não estavam permitidos atos de agressão durante o período da trégua.
Lula na Europa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia, nesta sexta-feira, uma série de compromissos na Europa com foco em acordos comerciais, cooperação estratégica e no debate sobre democracia, com destaque para parcerias em minerais críticos, incluindo terras raras. A viagem inclui passagens por Espanha, Alemanha e Portugal.
Lula chegou na noite de quinta-feira (15/4) a Barcelona, onde inicia a agenda na Europa na 1ª Cúpula Brasil-Espanha. O encontro reúne delegações ministeriais dos dois países para tratar de uma série de acordos.
No sábado (18/4), Lula participa de um evento de alto nível chamado “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos”, idealizado e coordenado por ele, em parceria com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. A reunião reúne chefes de Estado e autoridades internacionais para discutir desafios atuais da democracia.
Entre os temas previstos, estão a crise institucional, o impacto de fake news e discursos de ódio, além da relação entre desigualdade e sistemas democráticos. O evento também deve abordar a violência política e digital de gênero.
Nos bastidores, conforme mostrou o Metrópoles, Lula pretende articular apoio à candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Estão previstos representantes de 14 países, além do presidente do Conselho Europeu e um representante da ONU. Entre os chefes de Estado confirmados, estão Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai), Catherine Connolly (Irlanda), Peter Pellegrini (Eslováquia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e John Dramani Mahama (Gana). Outros países devem ser representados por autoridades de menor nível.
Após a agenda na Espanha, Lula segue para a Alemanha, onde participa da Feira de Hannover, considerada um dos maiores eventos de tecnologia industrial do mundo.
A programação ocorre entre domingo (19/4) e segunda-feira (20/4), com participação de empresas, autoridades e instituições. O Brasil terá um pavilhão próprio e presença de dezenas de empresas.
O presidente também participará do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a entidade, o encontro terá como foco temas como energias renováveis, hidrogênio verde, clima e inovação, digitalização, infraestrutura e investimentos.
Durante a passagem pelo país, Lula terá reunião com o chanceler Friedrich Merz. Estão previstos acordos nas áreas de defesa, tecnologia e meio ambiente. Também há a possibilidade de o presidente fazer uma visita à sede mundial da Volkswagen em Wolfsburg.
Na reta final da viagem, Lula fará uma parada em Lisboa. Na capital portuguesa, estão previstas reuniões com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente do país, António José Seguro.
