Petróleo afunda com reabertura de Ormuz e fica abaixo de US$ 90

Anúncio de cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel traz otimismo aos mercados e derruba os preços do petróleo nesta sexta-feira

atualizado

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Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images
Estreito de Ormuz
1 de 1 Estreito de Ormuz - Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images

Os preços internacionais do petróleo registravam forte queda, na manhã desta sexta-feira (17/4), em meio ao otimismo do mercado após o anúncio de um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano no Oriente Médio e à reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Os investidores também continuam monitorando o passo a passo das negociações entre Estados Unidos e Irã em torno de um possível acordo de paz que coloque um ponto final na guerra entre os dois países.


O que aconteceu

  • Por volta das 9h45 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) desabava 6,59% e era negociado abaixo de US$ 90 (US$ 88,45).
  • No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) tombava 5,89%, a US$ 93,54.
  • No dia anterior, o barril de petróleo WTI fechou em alta de 3,72%, a US$ 94,69, enquanto o brent subiu 4,7%, a US$ 99,39.

Irã anuncia reabertura de Ormuz

O Irã anunciou, por meio do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, a reabertura do Estreito de Ormuz, durante o período de cessar-fogo entre Israel e o Líbano.

A principal rota de petróleo do Oriente Médio estava fechada para a passagem de embarcações desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Com a medida, navios poderão navegar livremente no período do cessar-fogo.

“De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã”, disse Araghchi em comunicado.

Nas negociações diplomáticas entre EUA e Irã do último fim de semana, uma das exigências do Irã era que o cessar-fogo no Oriente Médio incluísse o território libanês, que sofreu com ataques israelenses desde o início do mês.

Trump exige que Hezbollah “se comporte” durante cessar-fogo

As tensões no Oriente Médio e sua influência sobre os preços internacionais do petróleo continuam ditando o ritmo do mercado e chamando atenção dos investidores. O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu que o grupo terrorista Hezbollah “se comporte bem” durante o cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, anunciado nessa quinta-feira (16/4).

O comentário do republicano foi feito em meio a tentativas de reduzir a escalada no Oriente Médio e abrir espaço para negociações mais amplas com o Irã.

“Espero que o Hezbollah se comporte bem e de forma correta durante este período importante. Será um grande momento para eles se o fizerem. Chega de mortes. Precisamos finalmente de paz!”, escreveu Trump em publicação na rede Truth Social.

A fala do presidente norte-americano reforça a pressão para que o grupo militar respeite a trégua, considerada peça-chave para evitar novos confrontos na região e viabilizar avanços diplomáticos.

Paquistão celebra trégua entre Israel e Líbano

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, celebrou, nesta sexta-feira, o cessar-fogo entre o Líbano e Israel. Sharif, que tem sido um interlocutor nas negociações entre EUA e Irã, disse que os esforços diplomáticos de Trump foram “ousados e sagazes” e facilitaram o acordo. O líder paquistanês também afirmou esperar que a trégua abra caminho para uma paz sustentável.

“Acolho com satisfação o anúncio de um cessar-fogo no Líbano, facilitado por ousados e sagazes esforços diplomáticos liderados pelo presidente Donald Trump, e expresso a esperança de que ele abra o caminho para uma paz sustentável. O Paquistão reafirma seu apoio inabalável à soberania e à integridade territorial do Líbano, e continuará a apoiar todos os esforços voltados para uma paz duradoura na região”, disse.

O Paquistão tem tentado intermediar as negociações entre os EUA e o Irã para que a guerra chegue ao fim. Um cessar-fogo de duas semanas entre os dois países está em vigor. Ao anunciar a trégua, o Paquistão chegou a anunciar que o Líbano também estava incluído, o que foi desmentido pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, posteriormente.

Líbano acusa Israel de violar cessar-fogo

O Exército do Líbano acusou Israel de violar o cessar-fogo poucas horas após a trégua entrar em vigor, na madrugada desta sexta-feira, pelo horário local. Segundo os militares libaneses, bombardeios intermitentes atingiram diversas aldeias no sul do país, colocando em xeque a sustentação do acordo.

Em comunicado, as Forças Armadas libanesas afirmaram ter registrado “uma série de atos de agressão” por parte de Israel. Diante do cenário, o Exército orientou a população a adiar o retorno às cidades e aos vilarejos do sul, área mais afetada pelos confrontos recentes.

O cessar-fogo foi mediado pelos EUA e costurado em Washington com participação de autoridades israelenses e libanesas. O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou a trégua como um ponto de partida para negociações diretas com Israel.

Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já havia indicado que manterá tropas em áreas estratégicas do sul do Líbano, mesmo durante a pausa nos combates – um dos pontos de tensão do acordo. No entanto, não estavam permitidos atos de agressão durante o período da trégua.

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