Após alerta ao Cade sobre recuperação judicial, ações da Azul desabam

Azul informou ao Cade que um atraso na saída da recuperação judicial nos Estados Unidos pode trazer “graves riscos” às finanças da empresa

atualizado

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1 de 1 Imagem de avião da Azul - Metrópoles - Foto: Divulgação/Azul

As ações da Azul negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) registravam forte queda desde a última terça-feira (10/2), após a companhia aérea informar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que o atraso na saída da recuperação judicial nos Estados Unidos pode trazer “graves riscos” às finanças da empresa.

Nesta quarta-feira (11/2), o plenário do Cade analisa um recurso apresentado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo) contra uma operação envolvendo a Azul e a United Airlines – citada como parte da recuperação judicial nos EUA.


Tombo das ações

  • No pregão de terça-feira, as ações da Azul fecharam o dia desabando quase 40% (38,68%).
  • Nesta quarta, embora o recuo seja bem menor, os papéis da Azul continuavam operando no vermelho.
  • Por volta do meio-dia (pelo horário de Brasília), a ação da companhia caía 0,44%, a R$ 4,53.
  • Mais cedo, às 10h51, os papéis eram negociados a R$ 4,50, com perdas de 1,1%. Na mínima do dia até aqui, recuaram para R$ 4,45. Na máxima, bateram R$ 5,09.

Entenda o caso

A operação entre Azul e United Airlines prevê um aumento da participação minoritária da companhia norte-americana na empresa brasileira, passando de 2,02% para cerca de 8% do capital social.

De acordo com Azul e United, não haverá modificação nos direitos societários da United ou na relação comercial existente. Também não haverá sobreposição relevante de voos diretos entre Brasil e EUA, afirmam as empresas.

Iniciado em maio de 2025, o plano de reorganização da Azul estabelecia como condição para a saída da recuperação judicial a captação de pelo menos US$ 850 milhões por meio de uma Oferta Pública de Ações (OPA). Desse montante, US$ 750 milhões seriam aplicados por um grupo de credores e US$ 100 milhões pela United.

Depois de ter aprovado o negócio sem restrições no fim do ano passado, a Superintendência-Geral do Cade recebeu um pedido do IPSConsumo para que a análise da operação também considerasse possíveis efeitos concorrenciais sobre outras companhias aéreas da América Latina. O recurso foi acolhido pelo relator do caso, o conselheiro Diogo Thomson.

Azul em recuperação judicial

Em 12 de dezembro do ano passado, a Azul informou ao mercado que a Justiça dos EUA aprovou o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa no âmbito do Chapter 11 – mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil. Segundo a companhia, a proposta recebeu mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores habilitados a votar.

Com a confirmação do plano, a Azul avança no processo iniciado em maio, quando ingressou com o pedido na Justiça norte-americana para reorganizar suas obrigações financeiras. A empresa foi a última, entre as principais companhias aéreas brasileiras, a recorrer ao Chapter 11.

De acordo com a Azul, a reestruturação prevê uma redução superior a US$ 3 bilhões em dívidas, além de cortes em obrigações relacionadas a arrendamentos de aeronaves, despesas com juros anuais e custos recorrentes da frota.

No fim de maio de 2025, a Azul entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA, por meio do Chapter 11. A empresa optou pelos EUA por considerar a legislação do país mais flexível e também porque a maioria de seus credores é estrangeira – e grande parte dos contratos com os fornecedores têm como foro o estado de Nova York.

Segundo as estimativas da Azul, a saída da recuperação judicial deveria ocorrer ainda no início deste ano.

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