Azul lança oferta de ações para levantar US$ 950 milhões. Entenda
Oferta será apresentada na Bolsa de Valores de Nova York, na qual a Azul está listada. Decisão foi tomada pelo Conselho de Administração
atualizado
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A Azul, uma das principais companhias aéreas do Brasil, lançou uma oferta pública de ações para captar até US$ 950 milhões, na última etapa do seu plano de recuperação judicial nos Estados Unidos.
A oferta será apresentada na Bolsa de Valores de Nova York (EUA), na qual a empresa está listada. A decisão foi tomada em reunião do Conselho de Administração da Azul, nessa segunda-feira (2/2).
Na semana passada, a companhia aérea já havia ido ao mercado de dívida (os chamados “bonds”) e captou US$ 1,2 bilhão, com vencimento em 2031. Bonds são títulos de dívida emitidos por governos, empresas ou entidades públicas no exterior para captar recursos, e servem como um empréstimo do investidor ao emissor, em troca de juros e devolução do capital no vencimento.
A United Airlines se comprometeu a fazer um aporte de US$ 100 milhões, condicionado à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O restante da oferta deverá ser subscrito pelos credores da empresa.
Entenda
Uma oferta pública de ações é o processo por meio do qual uma empresa vende suas ações ao público para captar recursos e abrir capital. Em linhas gerais, a operação permite que investidores comprem “partes” da empresa e se tornem sócios, com o objetivo de financiar sua expansão e reduzir dívidas.
Os papéis devem ser emitidos com desconto de 30% em relação ao valor da empresa, definido no plano de recuperação judicial. A projeção da Azul é que haja uma diluição aproximada de 80% de sua base acionária atual.
Azul em recuperação judicial
Em 12 de dezembro do ano passado, a Azul informou ao mercado que a Justiça dos EUA aprovou o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa no âmbito do Chapter 11 – mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil. Segundo a companhia, a proposta recebeu mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores habilitados a votar.
Com a confirmação do plano, a Azul avança no processo iniciado em maio deste ano, quando ingressou com o pedido na Justiça norte-americana para reorganizar suas obrigações financeiras. A empresa foi a última, entre as principais companhias aéreas brasileiras, a recorrer ao Chapter 11.
De acordo com a Azul, a reestruturação prevê uma redução superior a US$ 3 bilhões em dívidas, além de cortes em obrigações relacionadas a arrendamentos de aeronaves, despesas com juros anuais e custos recorrentes da frota.
No fim de maio de 2025, a Azul entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA, por meio do Chapter 11. A empresa optou pelos EUA por considerar a legislação do país mais flexível e também porque a maioria de seus credores é estrangeira – e grande parte dos contratos com os fornecedores têm como foro o estado de Nova York.
Segundo as estimativas da Azul, a saída da recuperação judicial deve ocorrer ainda no início deste ano.
