Azul cai mais de 30% na Bolsa após conversão de ações. Entenda
Azul concluiu oferta de ações de R$ 7,4 bilhões e finalizou o processo de conversão da totalidade de seus papéis preferenciais em ordinários
atualizado
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A Azul informou, nesta terça-feira (13/1), que concluiu a oferta de ações no valor de R$ 7,4 bilhões e finalizou o processo de conversão da totalidade de seus papéis preferenciais em ordinários.
Com isso, a companhia aérea avança mais uma etapa no plano de recuperação judicial que está em andamento nos Estados Unidos.
Entenda
- Ações preferenciais (PN) dão aos investidores prioridade no recebimento de dividendos (parte do lucro) e no reembolso de capital em caso de falência, mas geralmente não concedem direito a voto nas assembleias da empresa.
- Ações ordinárias (ON), por sua vez, dão direito a voto nas assembleias da empresa, tornando o acionista sócio com influência na gestão.
Veja o que muda
Com a conversão das ações preferenciais em ordinárias, os papéis da Azul negociados na Bolsa de Valores do Brasil (B3) passam a ser identificados exclusivamente pelo “ticker” AZUL53.
Na semana passada, a Azul homologou a oferta de R$ 7,44 bilhões – com a emissão de 723,8 bilhões de novas ações ordinárias e 723,8 bilhões de ações preferenciais.
Uma oferta pública de distribuição é o processo de colocação, junto ao público, de certo número de títulos e valores mobiliários para venda.
Ela envolve desde o levantamento das intenções do mercado em relação aos valores mobiliários ofertados até a efetiva colocação junto ao público, incluindo a divulgação de informações, o período de subscrição, entre outras etapas.
Com as mudanças, o capital social da companhia aérea passa a ser de R$ 14,5 bilhões, representado por cerca de 55 bilhões ações ordinárias. As preferenciais deixam de ser negociadas na B3.
Ações
Às 11h45 (pelo horário de Brasília) desta terça-feira, os papéis da Azul tombavam 31,25% e eram negociados a R$ 93,55.
Por volta do meio-dia, a queda era de 28,28%, a R$ 97,02.
Azul está em recuperação judicial nos EUA
No dia 12 de dezembro, a Azul informou ao mercado que a Justiça dos Estados Unidos aprovou o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa no âmbito do Chapter 11 – mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil.
Segundo a companhia, a proposta recebeu mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores habilitados a votar.
Com a confirmação do plano, a Azul avança no processo iniciado em maio deste ano, quando ingressou com o pedido na Justiça norte-americana para reorganizar suas obrigações financeiras. A empresa foi a última, entre as principais companhias aéreas brasileiras, a recorrer ao Chapter 11.
De acordo com a Azul, a reestruturação prevê uma redução superior a US$ 3 bilhões em dívidas, além de cortes em obrigações relacionadas a arrendamentos de aeronaves, despesas com juros anuais e custos recorrentes da frota.
Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que o plano aprovado inclui acordos comerciais e alterações em contratos de leasing de aeronaves, medidas que, segundo a avaliação da própria companhia, ampliam a flexibilidade financeira no longo prazo e criam condições para um crescimento considerado sustentável após a saída do processo.
Outro ponto central da reestruturação é a previsão de uma oferta pública de ações que pode alcançar até US$ 950 milhões. A operação está dividida em etapas e envolve, entre outros aspectos, a conversão de créditos de determinados credores em participação acionária na empresa.
No fim de maio, a Azul entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA, por meio do Chapter 11. A empresa optou pelos EUA por considerar a legislação do país mais flexível e também porque a maioria de seus credores é estrangeira – e grande parte dos contratos com os fornecedores têm como foro o estado de Nova York.
Segundo as estimativas da Azul, a saída da recuperação judicial deve ocorrer já no início deste ano.
