Azul segue derretendo na Bolsa e vê ações desabarem mais de 60%
No acumulado das primeiras sessões do ano, as ações da Azul registram uma derrocada de cerca de 94% na Bolsa de Valores do Brasil (B3)
atualizado
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A Azul, uma das três principais companhias aéreas do Brasil, continua derretendo na Bolsa de Valores do país (B3) nos primeiros pregões de 2026.
Depois de registrar forte desvalorização na véspera, os papéis da empresa enfrentam mais uma dia de grandes perdas, nesta quinta-feira (8/1), em meio à incerteza dos investidores após a homologação de uma oferta de ações no valor de R$ 7,4 bilhões.
O que está acontecendo
- Por volta das 12h40 (pelo horário de Brasília), as ações da Azul desabavam mais de 60% (62,75%) e eram negociadas a R$ 95,00. De longe, era o maior tombo do pregão desta quinta-feira.
- No dia anterior, os papéis da companhia aérea fecharam em queda de 54,37%, cotados a R$ 255,00.
- No acumulado das primeiras sessões do ano, as ações da Azul registram uma derrocada de cerca de 94%.
- No pregão desta quinta, os papéis da companhia chegaram a entrar em leilão.
- O leilão de ações é um mecanismo utilizado pelas bolsas de valores para equilibrar a oferta e a demanda de ações em momentos específicos do pregão.
- Ele assegura que o preço de uma ação reflita de forma mais precisa o equilíbrio entre compradores e vendedores.
Por que a Azul está derretendo
O derretimento das ações da Azul é explicado pela reação negativa dos investidores à homologação de uma oferta de ações no valor de R$ 7,4 bilhões.
Na noite de terça-feira (6/1), a Azul, que está em recuperação judicial nos Estados Unidos, homologou a oferta de R$ 7,44 bilhões – com a emissão de 723,8 bilhões de novas ações ordinárias e 723,8 bilhões de ações preferenciais.
Uma oferta pública de distribuição é o processo de colocação, junto ao público, de certo número de títulos e valores mobiliários para venda.
Ela envolve desde o levantamento das intenções do mercado em relação aos valores mobiliários ofertados até a efetiva colocação junto ao público, incluindo a divulgação de informações, o período de subscrição, entre outras etapas.
Na prática, a oferta de ações tem o objetivo de viabilizar a capitalização compulsória das dívidas da companhia por meio da conversão de títulos emitidos no exterior em ações.
A diluição de acionistas é a redução da porcentagem de participação de um acionista na empresa devido à emissão de novas ações – o que aumenta o número total de ações e, consequentemente, diminui o poder de voto e a fatia nos lucros de cada acionista antigo, mesmo que o valor total do patrimônio possa crescer.
Empresa está em recuperação judicial nos EUA
No dia 12 de dezembro, a Azul informou ao mercado que a Justiça dos Estados Unidos aprovou o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa no âmbito do Chapter 11 – mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil.
Segundo a companhia, a proposta recebeu mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores habilitados a votar.
Com a confirmação do plano, a Azul avança no processo iniciado em maio deste ano, quando ingressou com o pedido na Justiça norte-americana para reorganizar suas obrigações financeiras. A empresa foi a última, entre as principais companhias aéreas brasileiras, a recorrer ao Chapter 11.
De acordo com a Azul, a reestruturação prevê uma redução superior a US$ 3 bilhões em dívidas, além de cortes em obrigações relacionadas a arrendamentos de aeronaves, despesas com juros anuais e custos recorrentes da frota.
Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou que o plano aprovado inclui acordos comerciais e alterações em contratos de leasing de aeronaves, medidas que, segundo a avaliação da própria companhia, ampliam a flexibilidade financeira no longo prazo e criam condições para um crescimento considerado sustentável após a saída do processo.
Outro ponto central da reestruturação é a previsão de uma oferta pública de ações que pode alcançar até US$ 950 milhões. A operação está dividida em etapas e envolve, entre outros aspectos, a conversão de créditos de determinados credores em participação acionária na empresa.
No fim de maio, a Azul entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA, por meio do chamado Chapter 11 – mecanismo jurídico que permite a reorganização de dívidas de empresas em dificuldades financeiras.
A empresa optou pelos EUA por considerar a legislação do país mais flexível e também porque a maioria de seus credores é estrangeira – e grande parte dos contratos com os fornecedores têm como foro o estado de Nova York.
Segundo as estimativas da Azul, a saída da recuperação judicial deve ocorrer já no início deste ano.
