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The Economist: Pix ameaça domínio dos EUA no setor de pagamentos

Segundo a revista britânica The Economist, o Pix é um exemplo da fragmentação do sistema financeiro global, o que ameaça o domínio dos EUA

13/07/2026 14:51, atualizado 13/07/2026 14:52
Ricardo Stuckert / PR
The Economist: Pix ameaça domínio dos EUA no setor de pagamentos

Artigo da revista britânica The Economist, publicada no último domingo (12/7), afirma que o sistema de pagamentos instantâneo brasileiro, o Pix, é um exemplo da fragmentação do sistema financeiro global, que reflete a busca dos países pelos seus próprios meios de pagamento, ameaçando o domínio dos Estados Unidos.

O texto afirma que sistemas como o Pix ameaçam o domínio de empresas norte-americanas gigantes do setor de pagamentos, como Visa e Mastercard. Segundo a reportagem, essas mudanças representam uma nova fase na geopolítica financeira mundial.

A matéria reforça que Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, atacou o Pix e acusou a ferramenta de prejudicar empresas americanas do setor de pagamentos, além de propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de praticas comerciais desleais.

Apesar disso, o governo brasileiro contesta a narrativa americana. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, as próprias empresas de pagamento já perceberam que o Pix não causa prejuízos as suas operações no país. De acordo com ele, todas as documentações que comprovam que a ferramenta não causa concorrência desleal foram apresentadas as autoridades americanas.

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O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido publicamente a soberania deste meio de pagamento e do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

A reportagem da  The Economist mostra ainda que o senador e pré-candidato da presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu o Pix das acusações americanas, mas afirmou que os países poderiam conversar sobre o Zelle, sistema americano semelhante. Além disso, Bolsonaro também avaliou que o Brasil deve evitar integrar o Pix a redes internacionais de pagamento que compitam com as redes americanas.

A revista diz também que países da Asia e Europa estão se mobilizando para garantir a soberania dos seus sistemas de pagamento, limitando a dependência de empresas e infraestruturas americanas.

Na Europa, por exemplo, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu a importância de que os países tenham pagamentos digitais sob seu controle.

O BCE já afirmou que pretende lançar o euro digital até o fim da década e trabalha no desenvolvimento da Wero, uma carteira que deve integrar diferentes sistemas nacionais de pagamentos instantâneos.

Além disso, a China também tem intensificado os esforços neste sentido e ampliado a abrangência internacional do Yuan digital.  A revista cita também o sistema de pagamentos indiano, que já opera em nove países após acordos bilaterais.

No entanto, ao citar o fortalecimento da soberania dos países, a revista também destaca que o aumento de sistemas que não são compatíveis entre si pode ampliar os riscos de fraudes e reduzir a eficiência dos pagamentos internacionais.

A revista aponta que, ao pressionar seus parceiros comerciais, os EUA acabam acelerando o processo de independência de sistemas financeiros e ameaçando sua própria influencia.