Guerra deixa 19,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar no Sudão
Sudão enfrenta guerra civil desde 2023. Civis são os mais afetados pelos combates entre forças militares que disputam o controle do país
atualizado
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Quase 19,5 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda no Sudão, provocada pela guerra civil que já se arrasta por três anos. O número equivale a cerca de 40% da população local.
A informação consta em um informe divulgado nesta sexta-feira (15/5) e elaborado, conjuntamente, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
De acordo com a análise, do número de sudaneses que convivem com insegurança alimentar aguda, quase 135 mil pessoas enfrentam o risco de fome severa nos próximos meses, com risco de morte. Elas estão espalhadas pelas regiões de Darfur, Darfur do Sul e Kordofan do Sul.
Crise nutricional
As instituições e órgãos internacionais alertaram, ainda, que o Sudão enfrenta, também, uma forte crise nutricional. As estimativas são de que 825 mil crianças, menores de cinco anos, vão sofrer com desnutrição aguda grave em 2026, caso o conflito não se encerre.
Localizado no Norte da África, o Sudão enfrenta uma guerra civil esquecida por grande parte da comunidade internacional, desde 2023. As disputas envolvem duas forças militares, antes aliadas, que buscam controlar o país: as Forças Armadas Sudanesas (SFA), reconhecidas como o Exército nacional, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), antes aliadas das SFA.
Após o golpe militar mais recente no país, em 2021, ambos os lados governaram juntos por um período. Divergências internas, contudo, colocaram as SFA e RSF em rota de colisão.
Atualmente, as Forças Armadas do Sudão, lideradas pelo general Abdel Fattah al-Burhan, controlam grande parte do território sudanês. As Forças de Apoio Rápido (RSF), comandadas pelo também general Mohamed Hamdan Dagalo, dominam outras partes do país, incluindo campos petrolíferos.
