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Mundo

Sudão: grupo paramilitar aceita cessar-fogo após dois anos de guerra

Proposta de cessar-fogo busca reduzir violência no país, mas é considerada instável

06/11/2025 17:17, atualizado 06/11/2025 17:18
Eva-Maria Krafczyk via Getty Images
Imagem colorida de crise humanitária no Sudão do Sul - Metrópoles

O grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) anunciou nesta quinta-feira (6/11) que aceitou uma proposta dos Estados Unidos, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito para a implementação de um cessar-fogo humanitário no Sudão, após dois anos e meio de guerra civil que provocou milhares de mortes e milhões de deslocados. O grupo também se declarou aberto a negociações para a interrupção total das hostilidades.

O comunicado das RSF surge menos de duas semanas após o grupo consolidar seu domínio sobre a cidade de Al-Fashir, principal reduto da região de Darfur Ocidental, no oeste do país.

A tomada de Al-Fashir ocorreu depois de 18 meses de cerco, bombardeios e fome. Segundo dados das Nações Unidas, mais de 65 mil pessoas fugiram, mas milhares continuam presas na cidade, que antes da ofensiva tinha cerca de 260 mil habitantes.

“As Forças de Apoio Rápido aguardam a implementação do acordo e o início imediato das discussões sobre os mecanismos para a cessação das hostilidades e os princípios fundamentais que orientarão o processo político no Sudão”, afirmou o grupo em nota oficial.

Histórico de impunidade em Darfur

  • O Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou na segunda-feira (3/11) a abertura de novas investigações sobre crimes de guerra e possíveis atos de genocídio em Darfur, região oeste do Sudão devastada pela guerra civil.
  • O TPI já havia indiciado o ex-ditador Omar al-Bashir por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade em 2009, após o primeiro ciclo de violência em Darfur.
  • No entanto, Bashir nunca foi entregue ao tribunal e permanece sob custódia das Forças Armadas sudanesas desde o golpe de 2021.
  • Com o colapso institucional atual, especialistas alertam que a impunidade histórica abriu caminho para a repetição dos massacres, agora sob comando das RSF e de líderes locais.
  • A ONU e organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional já encaminharam ao TPI relatórios com evidências de execuções sumárias, estupros em massa e uso de fome como arma de guerra.

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Reuters
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PMA/Abubaker Garelnabei

O controle de Al-Fashir e de Darfur Ocidental coloca as RSF em posição estratégica no país, tornando uma eventual trégua favorável ao grupo do ponto de vista militar. Organizações de ajuda humanitária, como a Médicos Sem Fronteiras (MSF), continuam prestando atendimento a deslocados e feridos, em clínicas improvisadas nas regiões atingidas pelos combates.

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