Governo quer manter cooperação após decisão dos EUA sobre PCC e CV

Apesar de ver pouca possibilidade na reversão da medida, governo quer continuar dialogando com os EUA para combater o crime organizado

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 pcc-e-cvjpg - Foto: Arte Metrópoles/Otávio Augusto

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta em manter a cooperação com os Estados Unidos (EUA) na área de segurança pública após a gestão de Donald Trump decidir classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações criminosas.

A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (5/6) e altera o “status jurídico” das duas facções criminosas perante a comunidade internacional.

Auxiliares do presidente avaliam que a ação decorre de questões políticas e, por isso, dificilmente serão revertidas no curto prazo. No entanto, o governo acredita que a mudança não deve produzir efeitos imediatos.

O Planalto defende a ampliação da cooperação não só com os EUA, mas com países vizinhos e a União Europeia para fortalecer o combate ao crime organizado. Como parte desse esforço, a Receita Federal deve enviar uma equipe ao país norte-americano até o fim do mês para discutir possibilidades de colaboração com o serviço de Receita dos EUA (IRS, sigla em inglês).

Anteriormente, o órgão já havia fechado um acordo com o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos EUA, para integrar ações de combate a crimes como tráfico de armas e entorpecentes.

As medidas se somam a um pacote de ações lançadas pelo governo federal na segurança pública que busca não só blindar o país de ingerências externas, mas melhorar os índices de popularidade do petista.

O que muda com a nova classificação

O governo Trump oficializou a classificação nesta sexta após a publicação no Federal Register. Ao serem formalmente designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês), as duas facções brasileiras deixam de ser tratadas pela inteligência norte-americana apenas como gangues criminosas locais ou cartéis de narcotráfico e passam a estar sujeitas a ações mais contundentes por parte do governo dos EUA.

A classificação amplia o poder de persecução global dos EUA, permitindo a mobilização de agências de segurança nacional para rastrear, sufocar e neutralizar as redes operacionais de ambos os grupos fora do território brasileiro.

A medida também impõe uma série de sanções e restrições a lideranças, membros e empresas vinculadas a ambas as facções. Entre as punições, estão o cancelamento de vistos, a deportação imediata nos casos em que o indivíduo esteja em território norte-americano, além do congelamento de bens.

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