Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Embaixador diz que Cuba se prepara contra ameaças militares de Trump

Em entrevista ao Metrópoles, embaixador de Cuba no Brasil afirmou que população do país têm se preparado para possível agressão dos EUA

18/10/2026 04:30
Metrópoles
Foto colorida mostra Victor Manuel Cairo Palomo, embaixador de Cuba no Brasil - Metrópoles

Mesmo enfrentando dificuldades financeiras e sociais há décadas, cubanos se preparam para defender a ilha caso as recentes ameaças militares vindas dos Estados Unidos se tornem realidade. Ao Metrópoles, o embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, afirmou que não se pode ignorar os sinais que o governo Donald Trump vem dando nos últimos tempos.

“Cuba não pode ignorar que todos os dias, todas as semanas, o secretário de Estado estão assumidos, ou o presidente Trump ou qualquer outra figura militar nos Estados Unidos fala com a presença ou fala com a imprensa para soltar alguma ideia de uma possível ação militar contra Cuba”, afirmou o diplomata.

Após a operação militar bem-sucedida na Venezuela, que resultou na captura do então presidente do país, Nicolás Maduro, Trump voltou os olhos para a ilha caribenha.

Além de cortar o envio de petróleo venezuelano para Cuba, o líder norte-americano fez uma série de ameaças contra o país. Entre elas a de que teria a “grande honra” de tomar o país, e o envio de um porta-aviões nuclear para águas próximas a região costeira cubana.


Crise em Cuba

  • Cuba é alvo de um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1962. As medidas foram tomadas após a aproximação de Cuba com a União Soviética, no contexto da Guerra Fria.
  • O embargo restringiu o acesso do país ao mercado internacional e isolou a ilha caribenha, impedindo seu avanço social e econômico.
  • Embora não se trate de uma proibição geral, determinadas regras norte-americanas alcançam empresas, bancos e pessoas estrangeiras que tenham vínculos com Havana.
  • Décadas de dificuldades econômicas levaram o país a uma falta de modernização, o condenado à dependência de combustíveis fósseis e importados.
  • Com o aumento do cerco de Trump contra Cuba, o país passou a enfrentar apagões prolongados, em um sistema elétrico antigo e com problemas de manutenção.

Palomo explica que, diante de tal situação, a população cubana tem se preparado com base na doutrina militar do país. Formalizada no início da década de 1980, a Guerra de Todo o Povo prevê justamente o que o nome insinua: civis devem se mobilizar para, junto das Forças Armadas, defender Cuba.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
Embaixador diz que Cuba se prepara contra ameaças militares de Trump - destaque galeria
3 imagens
Embaixador diz que Cuba se prepara contra ameaças militares de Trump - imagem 2
Ruas de Havana, capital cubana
Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel
1 de 3

Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel

Getty Images
Embaixador diz que Cuba se prepara contra ameaças militares de Trump - imagem 2
2 de 3

John Elk III/Getty Images
Ruas de Havana, capital cubana
3 de 3

Ruas de Havana, capital cubana

Juancho Torres/Anadolu via Getty Images

Em meio deste ano, por exemplo, a Defesa Civil de Cuba divulgou uma espécie de guia para cubanos se defenderem no cenário de uma possível agressão militar contra o país. Entre as recomendações, o manual Proteger, Resistir, Sobreviver e Vencer pede que famílias preparem mochilas com água potável, alimentos, medicamentos, lanterna e rádio. O documento ainda dá instruções sobre como agir com feridos.

“Se os Estados Unidos agredirem, Cuba terá uma resposta militar da população cubana. E vai ter uma resposta de luta e resistência da população cubana, porque uma população que defende sua soberania, vai defender o seu país”, disse o embaixador cubano em Cuba.

Apesar da preparação, o diplomata cubano afirma que o país deseja negociar, e está disposto a fazer isso desde que temas que só dizem respeito a Cuba, como mudanças no sistema político, não estejam presentes nas discussões. Palomo, no entanto, não esclareceu se autoridades cubanas e norte-americanas se reuniram desde maio, quando o chefe da Agência Central de Inteligência (CIA) visitou Havana.

“Eles [EUA] conhecem que nós estamos dispostos a falar sobre temas complexos vinculados a relações bilaterais entre Estados Unidos e Cuba, que são muito complexas. Mas eles também sabem que Cuba não vai falar sobre soberania, nem negociar temas vinculados à soberanias do país, porque a soberania não se negocia.

Na entrevista ao Metrópoles, o diplomata também comentou sobre outros temas relacionados a situação do país. Entre eles o agravamento da situação após o início do novo governo Trump, as medidas que o governo têm adotado para tentar driblar o cenário de crise em Cuba e a ajuda internacional enviada por outras nações.