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Copa do Mundo 2026Mundo

Copa 2026: 27% dos países no torneio estão envolvidos em conflitos

Ao todo, 13 países da Copa do Mundo 2026 estão envolvidos em conflitos, de forma direta ou indireta

Junio Silva12/06/2026 02:00, atualizado 11/06/2026 22:16
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Gabriel Lucas/Metrópoles
Imagem colorida mostra montagem com seleções da Copa do Mundo - Metrópoles

Enquanto os olhares da comunidade internacional estão voltados ao espírito de celebração e competição na Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, pouco mais de 27% dos países que participam do maior torneio de futebol estão envolvidos — direta ou indiretamente — em conflitos armados.

Das 48 nações que disputam o torneio deste ano, 13 delas convivem com guerras, em maior ou menor intensidade, ou violência em seus territórios propagada por atores não estatais:

  • Estados Unidos
  • México
  • Haiti
  • Irã
  • Jordânia
  • Catar
  • Arábia Saudita
  • Colômbia
  • Marrocos
  • Argélia
  • República Democrática do Congo (RDC)
  • Iraque
  • Coreia do Sul

A guerra no Oriente Médio

Ao mesmo tempo em que se prepara para a estreia na Copa 2026 contra o Paraguai, os Estados Unidos enfrentam uma guerra contra o Irã, que também disputa o torneio deste ano.

Iniciado em fevereiro deste ano após ataques norte-americanos contra o território do país persa, o conflito se encontra em uma frágil trégua desde abril, com ataques mútuos sendo registrados entre os dois países dias antes da abertura do Mundial.

Apesar da ação militar contra o Irã, e da invasão na Venezuela que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro, os EUA não sofreram qualquer retaliação por parte da Federação Internacional de Futebol (Fifa). A entidade, liderada pelo suíço Gianni Infantino, pregou neutralidade em meio à crise.

Em outras ocasiões, contudo, a postura da Fifa foi diferente. O exemplo mais recente aconteceu em 2022, quando a federação, assim como a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), suspendeu a seleção da Rússia, e times do país, de competições internacionais.

A tensão no Oriente Médio também levantou dúvidas sobre a participação da seleção do Irã na Copa.

Donald Trump chegou a afirmar que “não seria apropriado” a seleção iraniana participar do torneio, devido ao conflito com os EUA. Sua administração também sugeriu que o Irã fosse substituído pela Itália na Copa do Mundo de 2026 — mas a Fifa não atendeu o pedido.

Em meio às incertezas, a seleção iraniana enfrentou problemas antes mesmo de a bola rolar: demora para a emissão de vistos de atletas e da comissão técnica; a transferência de seu centro de treinamento, previsto para ser no Arizona, para a cidade mexicana de Tijuana; e a permissão para entrar nos EUA, onde disputará as partidas da primeira fase, apenas 36 horas antes de cada jogo.

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Irã solicita à Fifa para usar faixa preta na Copa do Mundo
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Jogadores do Irã recebem vistos para entrar nos Estados Unidos
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Jogadores do Irã recebem vistos para entrar nos Estados Unidos

Orhan Cicek/Anadolu via Getty Images
Irã solicita à Fifa para usar faixa preta na Copa do Mundo
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Irã solicita à Fifa para usar faixa preta na Copa do Mundo

Reprodução/ Mídia Irã
Copa 2026: 27% dos países no torneio estão envolvidos em conflitos - imagem 3
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Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images

Além dos dois, outros quatro países que vão jogar o maior torneio de futebol do mundo estão envolvidos com a guerra entre EUA, Israel e Irã: Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Iraque.

Vizinhos do Irã, os países foram alvos de ataques iranianos, que buscaram atingir instalações norte-americanas em seus territórios

Violência doméstica

Diferente de EUA e Irã, o México enfrenta convive com conflito armado dentro do próprio país, motivado, principalmente, pelo crime organizado no país.

A onda de violência envolve cartéis de drogas, se intensificou há cerca de vinte anos, quando as disputas territoriais entre os grupos narcotraficantes, e a tentativa das Forças Armadas do México de contê-los, aumentou.

Em fevereiro deste ano, a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, também conhecido como El Mencho, abalou as estruturas do país meses antes da Copa do Mundo. Fundador do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), considerado o mais poderoso grupo narcotraficante do país na atualizada, sua morte deflagrou conflitos entre traficantes e autoridades mexicanas.

Durante a onda de violência em retaliação a morte de El Mencho, que envolveu o fechamento de estradas e ataques contra militares, ao menos 73 pessoas morreram.

Três retratos do traficante El Mencho - Metrópoles
Traficante El Mencho

Já na Colômbia, os conflitos envolvem disputas políticas entre forças governamentais e grupos guerrilheiros de esquerda, como o Exército de Libertação Nacional (ELN), e mais recentemente cartéis de drogas.

No Haiti, a violência é impulsionada por facções criminosas que atuam, principalmente, na capital do país, Porto Príncipe.

Estimativas apontam que gangues controlem cerca de 80% da capital haitiana, provocando uma onda de assassinatos, sequestros e disputas em tais regiões. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o país caribenho enfrenta uma das mais graves crises humanitárias da atualidade.

Mais de 1,4 milhão de pessoas foram forçadas a abandonarem suas casas somente em Porto Príncipe.

O conflito esquecido

No Grupo K da Copa do Mundo ao lado de Colômbia, Uzbequistão e Portugal, a República Democrática do Congo (RDC) convive com um conflito esquecido desde a década de 1990, motivado por disputas territoriais e questões étnicas.

A guerra se concentra principalmente na região leste do país, onde forças governamentais costumam entrar em combates com grupos rebeldes, principalmente o M-23.

Além de questões envolvendo o controle de áreas com minerais valiosos, as tensões remontam a um triste episódio que aconteceu em 1994 nas fronteiras do país.

Naquele ano, um genocídio quase 1 milhão de pessoas em um período de 100 dias em Ruanda. O massacre, motivado por questões políticas e étnicas, foi realizado por hutus — que na época estavam no poder — principalmente contra tustis, mas também atingiu outras etnias mais moderadas.

Com o fim do genocídio, muitos hutus acabaram fugindo para a RDC, na tentativa de escapar de retaliações do novo governo, liderado por Paul Kagame (que faz parte do mesmo povo alvo dos massacres).

Neste contexto, o M-23 foi fundado na República Democrática do Congo em 2012, sob o pretexto de defender a minoria tutsi que vive no país. Segundo a ONU, o grupo rebelde é apoiado diretamente pelo governo de Ruanda, que nega as alegações.

A mais recente onda de violência na RDC explodiu no início de 2025, quando a coalizão Alliance Fleuve Congo (AFC), que inclui o M-23, avançou sobre diversas províncias, resultando na tomada do controle de aproximadamente 34 mil quilômetros quadrados no leste do país.

Um cessar-fogo chegou a ser mediado  pelos EUA entre RD do Congo e Ruanda no fim do último ano. A paz, contudo, nunca saiu do papel para a vida real de congoleses.

Imagem colorida mostra os presidentes dos EUA, RD do Congo e Ruanda - Metrópoles
RD do Congo e Ruanda assinam acordo de paz nos EUA

Guerras adormecidas

Coreia do Sul, Marrocos e Argélia, outros três participantes da Copa deste ano, convivem com conflitos adormecidos.

No caso sul-coreano, o país ainda está tecnicamente em guerra com a Coreia do Norte desde a década de 1950.

O conflito foi motivado por divisões ideológicas, e impulsionado pela Guerra Fria, e pela tentativa de controlar todo o território da península coreana após a mesma ter sido dividida em duas após a Segunda Guerra Mundial.

Na época, o lado norte-coreano foi apoiado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), enquanto forças sul-coreanas receberam a assistência de uma coalizão ocidental, liderada pelos EUA.

Um cessar-fogo foi firmado entre os dois países em 1953, mas as tensões persistem até a os dias de hoje.

Enquanto isso, Marrocos está envolvido em tensões históricas com a Frente Polisário, um movimento político e militar que reivindica a independência do Saara Ocidental — que está sob majoritário controle marroquino.

Um cessar-fogo entre forças do Marrocos e a Frente Polisário, apoiada pela Argélia, foi mediado pela ONU em 1991. A trégua, porém, foi rompida em 2020 com a retomada das hostilidades entre as partes envolvidas. Ainda assim, o impasse é classificado atualmente como um conflito de baixa intensidade.