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O que se sabe sobre gestão militar na residência presidencial de Milei?

Gestão de Milei afirmou que a Casa Militar assumirá a "responsabilidade total" pela segurança da Quinta de Olivos. Sindicatos ameaçam greve

19/09/2026 04:30
Art Metrópoles
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O presidente da Argentina, Javier Milei, determinou uma reorganização na equipe que trabalha na Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência nos arredores de Buenos Aires. Na quinta-feira (17/6), o governo argentino informou que cerca de 12 funcionários foram demitidos, incluindo Osvaldo Javier Sosa, que ocupava o cargo de administrador-geral da Casa Presidencial.

A mudança ocorreu após relatos de supostos vazamentos de informações sobre a rotina, atividades e círculo íntimo do presidente, segundo o jornal argentino La Nación. Entre os dispensados estão funcionários das áreas administrativa, de cozinha e jardinagem.

A gestão do presidente argentino, porém, não relacionou oficialmente as demissões aos supostos vazamentos. Em comunicado divulgado ainda na quinta, a Casa Rosada anunciou que a Casa Militar passará a concentrar a segurança e a administração da residência presidencial.

A Casa Militar é subordinada à Secretária-Geral da Presidência, Karina Milei, irmã do presidente argentino. A transferência de responsabilidades e bens deverá ser concluída em um prazo máximo de 60 dias. O órgão, de natureza militar, é encarregado da segurança e da proteção do presidente da Nação, de seus familiares e das residências presidenciais.

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Presidente da Argentina, Javier Milei
O presidente da Argentina, Javier Milei, durante discurso
Milei atribui decreto a aumento de mensagens de ódio contra argentinos
Javier Milei, presidente da Argentina
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Javier Milei, presidente da Argentina

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Gabriel Luengas/Europa Press via Getty Images
O presidente da Argentina, Javier Milei, durante discurso
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O presidente da Argentina, Javier Milei, durante discurso

Luciano Gonzalez/Anadolu via Getty Images
Milei atribui decreto a aumento de mensagens de ódio contra argentinos
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Milei atribui decreto a aumento de mensagens de ódio contra argentinos

Mateo Occhi/Getty Images

O que mudará na Quinta de Olivos?

  • Com a reorganização, a Administração Geral da Residência Presidencial de Olivos, estrutura que cuidava da gestão do local, será absorvida pela Casa Militar.
  • Na prática, a mesma estrutura ficará responsável tanto pela proteção do presidente quanto pela administração da residência e de outros imóveis utilizados temporariamente por Milei e família.
  • O governo, no entanto, esclareceu que isso não significa que todas as tarefas civis passarão a ser realizadas por militares.
  • “Isso não significa que os militares realizarão atividades civis. Mas pessoas que têm relacionamento com o Presidente trabalharão sob as ordens da Guarda Presidencial”, explicaram fontes oficiais, segundo informações divulgadas pela imprensa argentina.
  • A Casa Militar é comandada pelo coronel Sebastián Ignacio Ibáñez, que responde diretamente a Karina Milei.
  • Além da segurança de Milei, a estrutura também atua na organização da cobertura de eventos oficiais e na aplicação de regras relacionadas à atuação da imprensa credenciada na Casa Rosada, sede do governo argentino.

Relação com a imprensa argentina

A atuação da Casa Militar também já provocou controvérsias relacionadas ao trabalho de jornalistas na Argentina.

No dia 22 de abril deste ano, o órgão apresentou uma denúncia contra jornalistas por suposta espionagem dentro da Casa Rosada. A acusação, posteriormente, foi rejeitada pela Justiça argentina.

A estrutura também participou de procedimentos que restringiram o trabalho de cinegrafistas durante algumas aparições públicas de Milei.

O que diz o governo?

Apesar dos relatos de que a reorganização ocorreu após preocupações com vazamentos, a justificativa do governo argentino é diferente.

A gestão de Milei afirmou que a Casa Militar assumirá a “responsabilidade total” pela segurança da Quinta de Olivos e das residências temporárias utilizadas pelo presidente e família.

Segundo o comunicado, a mudança pretende reforçar a segurança e agilizar os processos administrativos internos.

“A Casa Militar assumirá total responsabilidade pelas funções de segurança da Residência Presidencial em Olivos, bem como das residências temporárias do Presidente da Nação e sua família, com o objetivo de reforçar a segurança e, ao mesmo tempo, facilitar os processos administrativos internos”, afirmou a gestão argentina.

A Casa Rosada afirmou ainda que a reorganização permitirá “elevar os padrões de eficiência e segurança para o Presidente e sua comitiva”.

O governo citou como contexto a percepção de aumento da insegurança em nível global e a próxima visita do papa Leão XIV à Argentina, que ocorrerá em novembro.

Por que a mudança chama atenção?

A reorganização na residência oficial ocorre em um momento de maior preocupação de Milei com a divulgação de informações sobre sua rotina privada.

Ainda de acordo com o La Nación, embora trabalhe no palácio presidencial, no centro de Buenos Aires, o presidente tem passado mais dias úteis na Quinta de Olivos. A residência fica localizada em uma área nobre nos arredores da capital e tem uma estrutura ampla para receber o presidente e sua família.

Lá, a rotina de Milei é mantida sob sigilo. Ele vive na residência com seus cães da raça mastim e não permite que os animais sejam fotografados.

Segundo o jornal argentino, pessoas próximas ao presidente perceberam que ele passou a demonstrar maior cautela com informações sobre encontros privados e estaria preocupado com possíveis “operações” contra ele e o governo.

Até o momento, entretanto, o governo não afirmou oficialmente que os supostos vazamentos foram a razão para as demissões.

Sindicato ATE declarou estado de alerta e ameaçou greve

Segundo o líder sindical Daniel Catalano, da ATE Capital, funcionários compareceram ao serviço normalmente, mas foram impedidos de entrar e mandados para casa sem explicação.

O sindicato representa e defende os trabalhadores do setor público nacional, municipal e de organismos localizados em Buenos Aires.

Catalano ainda acusou os irmãos Milei de autoritarismo. “Javier e Karina Milei acordaram achando que são reis”, afirmou Catalano.

Já o secretário-geral da ATE Capital, Rodolfo Aguiar, afirmou que o sindicato considera adotar “medidas de força”.