Após suspensão, Brasil pode levar 2 anos para voltar a exportar carne à UE
Chefe de auditorias sanitárias do bloco europeu afirmou que não deve haver importação de carne bovina brasileira no período

O Brasil pode levar pelo menos dois anos para voltar a exportar carne bovina à União Europeia (UE). A estimativa foi apresentada nesta segunda-feira (28/9) por Eric Thévenard, chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia.
O bloco suspendeu, em 3 de setembro, as importações de produtos de origem animal do Brasil após identificar falhas nas garantias sobre o uso de antibióticos proibidos na UE.
“O tempo entre nascimento e abate é de cerca de dois anos, então vocês podem calcular: nada antes de dois anos, em teoria”, afirmou Thévenard a integrantes da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu. “De agora até daqui a dois anos, não deve vir carne bovina do Brasil”, completou.
Deputados questionam futuro controle fiscal brasileiro
- Declaração de Thévenard foi feita durante sessão em que deputados europeus questionaram a segurança dos controles brasileiros sobre produção e uso de medicamentos na pecuária.
- O deputado austríaco Thomas Waitz criticou a facilidade de acesso a antibióticos no Brasil e o sistema de identificação dos animais.
- “No Brasil você pode comprar antibióticos por quilo em uma loja comum, sem nem precisar dizer se é agricultor ou não”, disse.
- Para ele, a falta de identificação individual do gado dificulta saber a origem de um animal quando ele chega a um confinamento ou frigorífico.
- O irlandês Ciaran Mullooly citou o recolhimento, em dezembro de 2025, de lotes de carne bovina brasileira com estradiol, hormônio proibido na pecuária europeia.
- Ele questionou se os controles brasileiros seriam suficientes para evitar novos casos e citou a preocupação de consumidores que compraram a carne acreditando que ela não continha o hormônio.
Estratégias do governo brasileiro
Para tentar recuperar o mercado na Europa, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) algumas medidas para adequar os controles às exigências do bloco.
A retomada é considerada importante para os cofres brasileiros. Isso porque, em 2025, o Brasil exportou US$ 1,049 bilhão, cerca de R$ 5,7 bilhões, em carne bovina para a UE.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEntre as medidas está um protocolo privado elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O documento prevê auditorias em fazendas e frigoríficos habilitados a exportar para a UE.
O Mapa também editou novas regras para definir quais medicamentos têm uso proibido na produção. Além disso, estabeleceu procedimentos de rastreabilidade, alerta e bloqueio de lotes com eventual contaminação.
Agora, o governo brasileiro aguarda uma auditoria presencial da UE na cadeia da carne bovina.
A expectativa é de que a inspeção siga modelo semelhante ao usado recentemente na cadeia de frango. A auditoria sobre aves terminou em 4 de setembro e teve resultado favorável ao Brasil.
UE avaliou os controles sobre carne de aves e mel do Brasil
Em 17 de setembro, o secretário-executivo do Mapa, Cleber Oliveira Soares, afirmou que a UE havia considerado satisfatórios os protocolos apresentados para a retomada das exportações de frango. Uma decisão deve ser discutida em reunião prevista para o fim de outubro.
O relatório final da auditoria foi publicado nesta segunda. Segundo o documento, o sistema brasileiro de controle para produção de aves e mel atende às exigências europeias relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos.
A avaliação positiva, porém, não significa autorização imediata.
Para voltar a vender esses produtos ao mercado europeu, o Brasil ainda precisa ser incluído novamente na lista de países autorizados a exportar para a UE. A decisão caberá às autoridades europeias.










