Aliada de Milei pede a Lula retorno de embaixador à Argentina
Ao defender Milei, Bullrich diz que “com o vocabulário sempre temos que tomar cuidado” e pede volta de embaixador à Argentina

A senadora argentina Patricia Bullrich, aliada do presidente Javier Milei e ex-ministra da Segurança, defendeu o chefe de Estado argentino nesta quinta-feira (6/8), em meio à crise diplomática com o Brasil. Ao mesmo tempo, fez um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o embaixador brasileiro Julio Glinternick Bitelli retorne a Buenos Aires.
A declaração ocorreu logo após o governo brasileiro anunciar o rebaixamento do nível das relações diplomáticas com a Argentina. Na terça-feira (4/8), o Itamaraty informou que Bitelli não retornará ao posto enquanto persistirem os ataques de Milei ao país.
A representação diplomática passou a ser conduzida no nível de encarregado de negócios.
Durante discurso no Senado argentino, Bullrich afirmou que Milei tem o direito de apoiar quem quiser nas eleições presidenciais brasileiras. A senadora também acusou Lula de ter interferido nas eleições de outros países latino-americanos, incluindo a Argentina, em 2023.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCrise entre Lula e Milei
- A crise atual ganhou força após Milei participar da convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
- Durante o evento, realizado em São Paulo, o presidente argentino fez ataques diretos a Lula.
- Milei chamou o petista de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”.
- A escalada provocou uma reação diplomática do governo brasileiro.
- O Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Glinternick Bitelli, para consultas.
- O chanceler Mauro Vieira também convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para apresentar um protesto formal.
- No início desta semana, o governo Lula decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina.
- Em nota, Buenos Aires afirmou que o Brasil estaria tomando a decisão por “questões puramente ideológicas” e defendeu que as relações bilaterais fossem orientadas pelos interesses permanentes dos dois países, e não por questões políticas ou pessoais dos governantes.
Apesar da defesa ao presidente, Bullrich procurou se distanciar do tom adotado por Milei nos ataques a Lula. O argentino já chamou o presidente brasileiro de “presidiário”, “ladrão” e “corrupto”.
“Eu tenho minhas razões para pensar que com o vocabulário sempre temos que tomar cuidado. E acredito que hoje estamos trabalhando forte em muitas frentes com o Brasil, e isso vai continuar”, afirmou.
Em seguida, Bullrich pediu que o governo brasileiro restabeleça a representação diplomática no nível de embaixadores. Segundo ela, questões políticas não deveriam comprometer a relação institucional entre os dois países.









