Problema com Milei não é ideologia, mas falta de respeito, diz Vieira
Chanceler brasileiro concedeu entrevista a um canal argentino para tratar do recente ruído diplomático entre Brasil e Argentina

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou, em entrevista na manhã desta quarta-feira (5/8) a um veículo argentino, que o ruído envolvendo os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Javier Milei não é causada por questões ideológicas, mas por falta de respeito.
“Foram agressões reiteradas [por parte de Milei]. Quatro vezes. O que foi uma falta de respeito, foi também uma questão muito agressiva e que a boa educação, as boas formas… Isso não é uma questão ideológica. Isso é uma questão de convívio das pessoas em suas vidas privadas e, sobretudo, também dos estados nas suas relações”, declarou o chanceler ao programa Modo Fontevecchia, na TV da Argentina.
Nessa terça-feira (5/8) o Brasil rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina ao determinar que o embaixador brasileiro no país, Julio Bitelli, não tem prazo para retornar a Buenos Aires. Desta forma, a representação brasileira fica sob os cuidados de um encarregado de negócios — a medida representa um rebaixamento nas relações bilaterais.
“Tomamos essa medida porque foi uma reiteração ao longo de uma semana em quatro ocasiões [de declarações de Milei]. E isso foi manifestado ao embaixador da Argentina quando eu o recebi. Foram quatro ocasiões em sete dias, que mostram um padrão constante e que não poderíamos deixar de ter uma reação”, disse.

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Ver todasAinda de acordo Vieira, a insatisfação foi relatada ao embaixador argentino, que também foi avisado de que “enquanto não houver explicações satisfatórias, nós vamos manter o nosso embaixador Júlio Britelli no Brasil e a embaixada argentina será dirigida por um encarregado de negócio”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA remoção do embaixador foi justificada por recentes declarações de Javier Milei que fez ataques ao presidente Lula e ao governo brasileiro. A crise foi iniciada após participação do presidente argentino na convenção nacional do Partido Liberal (PL), em São Paulo, ao lado do senador e presidenciável, Flávio Bolsonaro.



