Argentina diz que Brasil rebaixou relações por "questões ideológicas"
Em nota, governo argentino lamenta rebaixamento diplomático e afirma que Brasil se isola na América Latina por questões ideológicas
O governo da Argentina reagiu ao rebaixamento das relações diplomáticas com o Brasil, anunciado nesta terça-feira (4/8), e afirmou que a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi motivada por “questões puramente ideológicas”. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores argentino classificou a medida como unilateral.
“A República Argentina toma nota da decisão adotada unilateralmente pelo Governo da República Federativa do Brasil, e lamenta sua decisão de continuar se isolando do resto da região por questões puramente ideológicas”, afirma o texto.
O governo de Javier Milei também afirmou que, nos últimos anos, houve manifestações públicas de apoio e críticas entre líderes dos dois países, mas que Buenos Aires nunca transformou essas divergências em um incidente diplomático.
“Em todos esses casos, sem exceção, a Argentina optou por não transformá-los em um incidente diplomático. Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina mantém hoje.”
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo comunicado, o governo argentino também sustenta que as relações entre os países devem ser guiadas pelos “interesses permanentes de seus povos” e não por “necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes”. A nota termina afirmando que a política externa do país continuará sendo conduzida “exclusivamente pela defesa do interesse nacional, da soberania e do mandato conferido pelo povo argentino”.
Rebaixamento diplomático
Durante a tarde desta terça-feira (4/8), o governo brasileiro comunicou o rebaixamento da relação diplomática com a Argentina após sucessivos ataques de Milei ao presidente Lula, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e às instituições brasileiras. A informação foi confirmada pelo Metrópoles.
Com o rebaixamento, a relação volta a ser classificada como de encarregados de negócios. O embaixador Julio Bitelli Raimondi deve permanecer no país enquanto os insultos de Milei continuarem.
Crise diplomática
A escalada da crise ocorreu após Milei participar da convenção nacional do PL, em São Paulo, no último fim de semana. No evento, o argentino declarou que apenas o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido à Presidência, poderia “parar Lula”, além de incentivar apoiadores a entoarem o coro de “Lula ladrão”. No mesmo evento, o presidente argentino também criticou o ministro Alexandre de Moraes.
Após o discurso, Milei compartilhou em suas redes sociais publicações que voltavam a atacar Lula, chamando o presidente brasileiro de “ex-presidiário”.
Em resposta, o governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas.
Na mesma semana, o Itamaraty se posicionou e afirmou que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas e ao povo brasileiro.”
Milei voltou a atacar Lula em entrevista ao jornal argentino La Nación, nessa segunda-feira (3/7). O argentino disse que o petista “não é inocente” da Lava Jato e que saiu por “falha processual”. Milei ainda alegou, sem provas, que o governo brasileiro financiou campanha digital contra a Argentina.


