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Brasil

Após EUA, relação do Brasil com Argentina também entra em colisão

Em passagem pelo Brasil, Milei se reuniu com Flávio Bolsonaro e fez críticas ao governo brasileiro e ao presidente Lula

28/07/2026 04:30
Ricardo Stuckert
G20 tem Lula de cara fechada com Milei e sorrindo com outros líderes - Metrópoles

A relação diplomática entre Brasil e Argentina enfrenta um novo tensionamento após o presidente Javier Milei desembarcar em São Paulo, no último fim de semana, participar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto e lançar críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A tensão com a Argentina, que se soma aos embates recentes com membros do governo Donald Trump, reforça o discurso de Lula sobre defesa da soberania e liga alerta em relação a tentativas de interferências de líderes estrangeiros na eleição brasileira.

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O presidente argentino, considerado um dos principais lideres de direita na América do Sul, fez uma das falas de maior repercussão da convenção do Partido Liberal, no sábado (25/7). Durante discurso, Milei fez duras críticas ao governo brasileiro, voltou a chamar Lula de presidiário e classificou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, como “lixo careca.

As declarações voltam a demonstrar um abismo político entre Lula e Milei, que além de estarem em espectros políticos opostos, trocam acusações e críticas públicas desde a campanha eleitoral do argentino, em 2023.

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Durante o período eleitoral, o libertário chamou Lula de “comunista raivoso” e chegou a fazer campanha por Jair Bolsonaro na eleição de 2022 — antes mesmo de ser eleito presidente da argentina. Já Lula, chegou a dizer em discursos que Milei e Bolsonaro eram parte da “extrema direita raivosa e bruta”.

No entanto, as críticas de Milei durante evento em SP podem resultar no pior momento da relação diplomática recente entre os dois países, após o Palácio do Itamaraty convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires para prestar esclarecimentos — a convocação  é um ato diplomático que demonstra insatisfação por atitude realizada por outra nação.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, afirmou o Itamaraty após o discurso de Milei.


Milei participa de convenção do PL

  • Javier Milei esteve no Brasil no último sábado (25/7) para a convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
  • Durante a passagem pelo território brasileiro, não houve pedido de agenda com nenhuma autoridade do governo federal.
  • Milei discursou durante o ato do PL e fez duras críticas ao presidente Lula, ao governo brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes.
  • As declarações do líder argentino culminaram na convocação do embaixador do Brasil na Argentina e do embaixador argentino no Brasil, como o objetivo de demonstrar repúdio com as afirmações feitas pelo libertário.
  • A medida tensionam ainda mais a relação entre Lula e Milei, que rivalizam e trocam acusações desde a campanha eleitoral do argentino, em 2023.

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Javier Milei participou de evento de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro e Javier Milei
Lula e Javier Milei em encontro no Mercosul
Tarcísio de Freitas recebe Javier Milei no Palácio dos Bandeirantes
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Tarcísio de Freitas recebe Javier Milei no Palácio dos Bandeirantes

Samuel Pancher/Metrópoles
Javier Milei participou de evento de Flávio Bolsonaro
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Javier Milei participou de evento de Flávio Bolsonaro

Reprodução
Flávio Bolsonaro e Javier Milei
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Flávio Bolsonaro e Javier Milei

Reprodução/redes sociais
Lula e Javier Milei em encontro no Mercosul
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Lula e Javier Milei em encontro no Mercosul

Reprodução

Crise com líderes de direita

A crise diplomática entre o presidente Lula e Milei ocorre poucos dias após outro embate internacional protagonizado pelo governo brasileiro, desta vez com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em ambos os episódios, declarações públicas de forte teor político acabaram extrapolando o campo ideológico e produziram desgastes diplomáticos, levando o Itamaraty a adotar medidas formais para manifestar insatisfação.

Embora em contextos distintos, os dois casos têm um elemento em comum: a proximidade política entre líderes da direita no continente e a família Bolsonaro. Milei mantém uma relação próxima com o ex-presidente Jair Bolsonaro e familiares, enquanto Trump tornou-se um dos principais símbolos internacionais do bolsonarismo.

Nos últimos anos, Bolsonaro construiu laços políticos com os dois presidentes, compartilhando agendas e discursos em temas como conservadorismo, críticas à esquerda e oposição ao governo Lula.

Em um exemplo disso, Javier Milei já veio ao Brasil em duas oportunidade apenas para se encontrar com membros do clã Bolsonaro: em julho de 2024 quando se reuniu com Jair Bolsonaro no encontro do CPAC (Conservative Political Action Conference); e agora, para a convenção do PL com Flávio.

No sentido oposto, o argentino nunca fez uma viagem oficial ao Brasil para uma agenda bilateral com o presidente Lula ou convidou o brasileiro para uma visita de Estado a Buenos Aires. Em uma terceira viagem ao Brasil, o libertário desembarcou no Rio de Janeiro para participar da cúpula do G20 (foto em destaque), que era presidida por Lula.

Essa rede de afinidades ideológicas tem contribuído para politizar temas tradicionalmente conduzidos pela diplomacia. Ainda que as relações de Estado permaneçam sustentadas por interesses econômicos, comerciais e estratégicos, o ambiente político entre os governos se torna mais suscetível a atritos quando declarações de chefes de Estado passam a dialogar também com suas bases eleitorais e aliados ideológicos.

Tensões com Milei

Javier Milei desembarcou no Brasil durante o final de semana para acompanhar a convenção nacional do PL ao lado de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o líder argentino fez um inflamado discurso com críticas ao socialismo e ao comunismo, a governos argentinos anteriores ao dele, além de líderes de esquerda que governaram o Brasil.

Segundo Milei, Flávio Bolsonaro é um candidato capaz de “frear Lula, figura que o argentino acusa de “disseminar o comunismo na América do Sul“. O mandatário também declarou que uma eventual vitória do senador pode colocar um fim no “lixo socialista” que comanda o Brasil. Milei também se referiu a Alexandre de Moraes como “lixo careca”.

“O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso, embora eu saiba que Lula recebia constantemente líderes estrangeiros enquanto estava na cadeia, inclusive aquele ex-presidente argentino desastroso Alberto Fernández”, disse Milei durante o discurso, ao mencionar a negativa ao pedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Embora membros do governo e da diplomacia brasileira neguem que os embates entre os presidentes afetem a relação política ou comercial entre os dois países, a tensão diplomática entre Brasil e Argentina é evidente. A decisão do Itamaraty de convocar os embaixadores em Brasília eleva o tom da reação brasileira e formaliza o mal-estar entre os governos.

A medida ganha tons ainda mais dramáticos neste período pré-eleitoral e após a crise dos últimos meses entre Lula e o governo Donald Trump, que resultaram na aplicação de um tarifaço contra o Brasil. O líder norte-americano é considerado um aliado de Javier Milei na América do Sul e, apesar de também ter sido tarifado pelos Estados Unidos, foi taxado com a alíquota mais baixa, de 10%.