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Eleições 2026Minas Gerais

Republicanos banca candidatura de Eduardo Cunha apesar de oposição de Cleitinho

Eduardo Cunha é constantemente criticado por Cleitinho Azevedo e investigado por indicar mais de R$ 6 milhões em emendas sem ser deputado

13/07/2026 16:13
Reprodução/Facebook Eduardo Cunha
Ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha

Belo Horizonte – Investigado pela Polícia Federal por supostamente indicar o destino de R$ 6,1 milhões em emendas sem ser parlamentar, Eduardo Cunha quer ser deputado pelo Republicanos de Minas Gerais e conta com apoio dentro do partido, apesar de atritos com um filiado importante, o senador Cleitinho Azevedo.

Cleitinho, principal nome do partido e maior desejo do PL para a disputa ao governo de Minas Gerais, se coloca publicamente contrário à presença do correligionário entre os nomes que a legenda lançará para deputado federal na urna em outubro, mas a direção da legenda afirma que a decisão será tomada durante as convenções.

“O Eduardo (Cunha) é pré-candidato a deputado federal. Ele é um cara que está filiado ao partido, mesmo antes da gente chegar, e ele está apto a ser candidato. Se ele for aprovado nas convenções, como todos os outros pré-candidatos, será candidato”, afirmou o presidente do diretório estadual, Euclydes Pettersen.

Aliados de Cleitinho temem que a disputa do carioca ao cargo no Legislativo mineiro pode afetar negativamente a imagem do senador, que costuma ser bastante vocal em pautas ligadas a corrupção.

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Cunha e a PF

O caso mais recente que pesa contra Cunha é a investigação da Polícia Federal pela indicação irregular de 29 emendas parlamentares, em torno de R$ 6,1 milhões, que foram registradas na Câmara dos Deputados como indicações da liderança do partido na Casa.

O problema é que desde 2016 Cunha não é mais parlamentar, condição obrigatória para que ele possa destinar recursos da União. Devido à situação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu a execução e determinou, devido às investigações, o bloqueio de bens do ex-parlamentar.

Cunha não respondeu a pedidos de entrevista do Metrópoles, mas, disse, em uma rádio mineira da qual é dono, que “sugeriu” destino de emendas à liderança de seu partido e que o STF estaria querendo “criminalizar o diálogo político-partidário”.

Histórico de Eduardo Cunha

Cunha chegou a ser condenado a mais de 15 anos de prisão em 2017 por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em 2023, o STF anulou a condenação de corrupção e lavagem de dinheiro sob alegação da defesa de que o processo deveria ter sido julgado pela Justiça Eleitoral.

Pessoas ligadas ao Republicanos afirmaram, sob condição de anonimato, que Eduardo Cunha se tornou um quadro importante do partido nos últimos tempos. Desde que se filiou ao Republicanos, em 2024, com o objetivo de voltar a Câmara dos Deputados, o político abriu uma série de rádios, muitas dedicadas a conteúdo evangélico, em Belo Horizonte e nas regiões do Alto Paranaíba numa tentativa de ampliar a base e garantir os votos necessários.

Pettersen apontou que cabe ao povo mineiro decidir ou não se ele deve representar o estado, caso seja aprovado nas convenções partidárias estaduais, marcadas para 5 de agosto.

Cleitinho contra Cunha

Em mais de uma oportunidade, Cleitinho se manifestou contrário a Eduardo Cunha chegando a afirmar, em dezembro de 2024, que rodaria os 853 municípios de Minas fazendo campanha contrária ao correligionário, caso ele seguisse com o objetivo de concorrer.

“Vagabundo” e “canalha” foram algumas das palavras usadas pelo senador mineiro para se referir a Eduardo Cunha durante uma manifestação bolsonarista em Belo Horizonte em agosto de 2025. Na altura, o político carioca apresentou uma queixa-crime contra o correligionário.

Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais

Desde que perdeu o mandato, por cassação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, em 2016, Eduardo Cunha, que fez sua carreira toda pelo estado do Rio de Janeiro, tentou concorrer uma única vez a deputado federal, mas por São Paulo. Em 2022, ainda filiado ao PTB, que era comandado por Roberto Jefferson, ele recebeu apenas 5.044 votos dos paulistanos, não sendo eleito.

Em compensação, sua filha Danielle Cunha (PL-RJ) recebeu mais de 75 mil votos do eleitorado carioca.