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Brasil

"Mineiros enrolados", reclamou Cunha em diálogo sobre emendas

Eduardo Cunha é pré-candidato à Câmara dos Deputados por Minas Gerais. Diálogo foi interceptado pela PF em investigação sobre emendas

12/07/2026 15:14
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Eduardo Cunha

Pré-candidato à Câmara dos Deputados por Minas Gerais, Eduardo Cunha (Republicanos-MG) reclamou do estado em diálogos interceptados pela Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação sobre a indicação irregular de emendas parlamentares.

Em uma das conversas entre o ex-presidente da Câmara e a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ele pede a troca de uma das cidades que seria beneficiada pela verba.

“Boa tarde, desculpa mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”, escreveu Cunha, em um trecho descrito no relatório da PF.

Tuca é apontada pela investigação como responsável por operacionalizar o direcionamento dos recursos.

Segundo a PF, a verba era direcionada de acordo com “interesses políticos” do ex-deputado no estado. O documento também aponta que, em alguns diálogos, Cunha “simboliza manter pouco apreço pelo Estado e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução”.

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Nascido no Rio de Janeiro, Eduardo Cunha exerceu quatro mandatos como deputado pelo estado. Recentemente, transferiu o domicílio eleitoral para Belo Horizonte para concorrer a uma cadeira por Minas.

As conversas constam na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhão do ex-deputado.

De acordo com as investigações, Eduardo Cunha teria sido responsável pela indicação de ao menos 29 emendas parlamentares, que tiveram a execução suspensa por Dino. O pré-candidato à Câmara não exerce mandato desde 2016.

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A decisão foi assinada em 6 de julho. Na mesma data, Dino também determinou o bloqueio de mais de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. Segundo a Polícia Federal, os dois teriam utilizado servidores da Câmara dos Deputados para direcionar emendas sem exercer mandato.

Em nota, a defesa de Cunha nega que ele tenha cometido irregularidades e afirma que vai contestar a decisão do STF. Os advogados alegam que as emendas citadas na investigação foram “oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados”.

A defesa também disse que o ex-deputado “rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”.