Prefeito de Bonito de Minas é investigado por compra de votos
Operação Veredas Gerais investiga captação ilícita de sufrágio, transporte irregular de eleitores e ameaça em município do Norte de Minas
atualizado
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Belo Horizonte – A Polícia Federal (PF) deflagrou na sexta-feira (15/5) a Operação Veredas Gerais para apurar crimes eleitorais praticados no município de Bonito de Minas, no norte de Minas Gerais. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).
A investigação começou após denúncia que apontou suposta captação ilícita de votos e transporte irregular de eleitores durante as eleições municipais de 2024. O principal investigado é um agente político que está exercendo interinamente a chefia do Executivo municipal.
De acordo com os elementos colhidos até o momento, o suspeito teria prometido vantagens a eleitores em troca de apoio. Em um dos casos, ofereceu materiais de construção a cinco membros de uma mesma família que vivia em residência precária na zona rural. A casa desabou posteriormente devido às chuvas, sem que o material prometido tivesse sido entregue.
As apurações também indicam que o investigado teria pago motorista para realizar transporte irregular de eleitores. O condutor teria recebido orientações específicas sobre trajeto, tipo de veículo e locais de embarque e desembarque para evitar fiscalização. Ele teria sido alertado de que a descoberta dos fatos poderia resultar na cassação da candidatura.
Outra frente da investigação apura possível crime de ameaça contra a pessoa que denunciou os fatos à Justiça Eleitoral. A ocorrência teria sido registrada ainda durante o exercício interino do cargo de prefeito.
Durante as buscas, os agentes apreenderam R$ 55 mil em espécie, celulares e documentos. Os fatos investigados podem configurar, em tese, os crimes de captação ilícita de sufrágio (art. 299 do Código Eleitoral), transporte irregular de eleitores (Lei 6.091/1974, art. 11, III) e ameaça (art. 147 do Código Penal).
Contexto eleitoral em Bonito de Minas
O município realizará eleições suplementares no dia 21 de junho para definir prefeito e vice-prefeito. O pleito foi marcado após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar, por unanimidade, o indeferimento do registro de candidatura de Dilson de Senhorinha (União Brasil), o candidato mais votado em 2024, com 51,72% dos votos.
Dilson está inelegível em razão de condenação por abuso de poder político nas eleições de 2020. Desde janeiro de 2025, o cargo de prefeito é ocupado interinamente pelo presidente da Câmara Municipal.
A PF informou que as investigações continuam para o completo esclarecimento dos fatos.




