Lula e Flávio Bolsonaro seguem sem palanques em MG e aliados ficam impacientes
Segundo maior colégio eleitoral do Brasil, Minas Gerais é estado-chave para a disputa deste ano
atualizado
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Belo Horizonte – As semanas passam e os líderes nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), seguem sem conseguir fechar palanques em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. Diante dos entraves, aliados dos presidenciáveis começam a ficar impacientes e atritos ficam mais evidentes.
A disputa mais ruidosa está na direita e envolve o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O PL não tem um candidato natural em Minas e Nikolas está segurando uma aproximação da sigla de Flávio com o senador e pré-candidato ao governo Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), que é líder nas pesquisas e defendido por uma ala mais conservadora do PL mineiro.
Nos últimos dias, Nikolas voltou a se alinhar politicamente com o governador e pré-candidato à reeleição Mateus Simões (PSD). Os dois defenderam juntos a concessão de um reajuste anual automático para as forças de segurança.
O aceno de Nikolas a Simões, que ainda patina nas pesquisas de intenção de voto, provocou protestos públicos de correligionários como o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG), que é defensor de uma aliança com Cleitinho.
A tensão em torno de Nikolas está tão intensa que até mesmo Flávio Bolsonaro entrou em campo na noite sexta (24/4) para tentar acalmar a brigadentro da base.
Entenda por que Minas Gerais é um estado-chave para a eleição
- É o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 16,5 milhões de eleitores, atrás apenas de São Paulo.
- É campo de disputa aberta. O 2º turno da eleição presidencial de 2022 foi o mais acirrado da história do Brasil, com Lula (PT) vencendo Jair Bolsonaro (PL) por 50,9% a 49,1%. Em Minas foi mais apertado ainda, com o resultado mais acirrado entre todos os estados e o DF: Lula venceu Bolsonaro por 50,2% a 49,8%.
- Foi uma diferença entre os dois de menos de 50 mil votos.
- No folclore político, se diz que quem ganha em Minas ganha a eleição nacional. Isso tem sido verdade em todas as eleições desde a redemocratização.
Esquerda quer ver mais de Pacheco
Do outro lado do espectro político, a esperança que havia sido renovada com a filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSB mineiro vai esfriando em meio a uma militância que gostaria de ver o parlamentar fazendo mais política pelo estado e antagonizando com a direita.
Pacheco, contudo, sequer assume sua pré-candidatura e tenta antes se organizar nos bastidores, criando condições de competitividade tanto dentro do PSB, um partido pequeno em Minas, quanto para criar uma aliança.
Nesse sentido, o senador conseguiu essa semana colocar um aliado, o deputado federal Igor Timo, no comando do diretório do União Brasil na cidade de Contagem.
Enquanto isso, mesmo partidos mais à esquerda, como o PSol, resistem a apoiar Pacheco, que é o Plano A da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ter um palanque em Minas.
A disputa estadual
Além de Simões, Cleitinho e Pacheco, outros nomes aparecem como possíveis pré-candidatos ao governo de Minas. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) é um deles. Kalil tem participado de eventos políticos onde afirma categoricamente que irá participar da corrida eleitoral. “O meu nome vai estar na urna no dia da eleição”, confirmou o empresário.
Outro nome que tem sido ventilado e aparece nas pesquisas eleitorais é o do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB). O mineiro, contudo, ainda busca ampliar seu alcance para além da capital do estado.
Pelo PL, Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Industrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), fica esperando definições e tenta construir sua viabilidade.
Com menor desempenho nas pesquisas, aparecem também os possíveis pré-candidatos Túlio Lopes (PCB), que é professor e representa um campo alternativo da esquerda; Maria da Consolção (PSol), com uma candidatura que dialoga com pautas sociais e movimentos populares; e Ben Mendes (Missão, ligado ao MBL), advogado e youtuber que tenta transformar a exposição digital em capital político.
Os prazos eleitorais
No campo político as alianças de Lula e Flávio Bolsonaro estão travadas em Minas, o que deixa impacientes os aliados deles. Do ponto de vista legal, porém, ainda há bastante tempo para destravar essas articulações.
As escolhas de candidatos de cada partido e as decisões sobre coligações precisam ser tomadas em convenções partidárias, que precisam ser realizadas este ano no prazo entre 20 de julho a 5 de agosto.
Ai sim o eleitor saberá com mais segurança os nomes que terá à disposição na urna.













