Líder dos “Meninos” de Vorcaro recebia R$ 35 mil e tinha QG em MG

Apontado como hacker de Vorcaro alugava imóvel em Lagoa Santa (MG) e deixou a casa às pressas em meio às investigações do Caso Master

atualizado

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Belo Horizonte — Apontado pela Polícia Federal como líder do núcleo “Os Meninos”, braço digital que supostamente atuava em favor do grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, David Henrique Alves recebia cerca de R$ 35 mil por mês e mantinha um QG em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte. As informações constam em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, David comandava uma célula voltada a ações cibernéticas, monitoramento telemático e derrubada de perfis de redes sociais de pessoas críticas ao grupo. O núcleo, conforme os autos, teria atuação semelhante à de “A Turma”, mas no ambiente virtual: neutralizar, intimidar, constranger ou vigiar alvos de interesse da organização.

A PF afirma que David era remunerado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como um dos articuladores do esquema, e que os pagamentos seriam feitos por meio da empresa Bipe Software Brasil Ltda., da qual David seria sócio-administrador. Para os investigadores, a estrutura dava aparência formal ao repasse de valores usados para custear o braço cibernético do grupo.

Saída às pressas

O QG de David ficava em um imóvel no condomínio Golden Class, em Lagoa Santa (MG). No dia 4 de março, data da terceira fase da Operação Compliance Zero, ele ligou para a corretora dizendo que precisava entregar a casa com urgência. A justificativa foi de que um parente em São Paulo precisava de assistência.

Ainda segundo os autos, o porteiro relatou que David deixou o condomínio por volta das 15h de forma apressada, “cantando pneus”, o que chegou a gerar reclamações de moradores. Para a PF, a movimentação indica uma tentativa de desmobilizar rapidamente o local e retirar materiais sensíveis após a deflagração da operação.

Na mesma noite, David foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) dirigindo uma Range Rover pertencente ao “Sicário”. Dentro do veículo havia um computador de mesa, notebooks, caixas e malas. A PF interpretou o episódio como indicativo de fuga em andamento e possível tentativa de remover, destruir ou ocultar provas digitais.

Auxiliares no imóvel

No dia seguinte, Victor Lima Sedlmaier, apontado como integrante do núcleo “Os Meninos”, teria acessado a residência de David com autorização da corretora. Depois, segundo a investigação, ele retornou ao local acompanhado de um caminhão de mudança para retirar móveis e pertences da casa.

Victor declarou à PF que prestava serviços a David desde julho de 2024 e recebia R$ 2 mil mensais, além de bônus. Ele também afirmou que David trabalhava para Mourão “por questões do Daniel” e que a atuação envolvia a reputação on-line de Daniel Vorcaro.

Outro investigado, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, também é apontado como integrante do núcleo. Segundo os autos, ele teria executado tarefas para David, como pagamento de boletos e aquisição de domínios na internet, atividades vistas pela PF como parte da estrutura de suporte às operações digitais clandestinas.

Para a Polícia Federal, “Os Meninos” eram responsáveis por dar sustentação tecnológica ao grupo, com ações de hacking, monitoramento ilegal, invasões telemáticas e derrubada de perfis. A investigação afirma que David ocupava posição de comando e era o ponto de convergência das demandas digitais ligadas ao núcleo central da organização.

Pai de Vocaro na mira

A investigação da Polícia Federal apontou que o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, era operador financeiro, demandante e beneficiário do grupo. Ele foi preso, na manhã desta quinta-feira (14/5), em Belo Horizonte.

O núcleo funcionava como engrenagem paralela de proteção, intimidação e ocultação patrimonial montada para defender os interesses do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro.

O que diz a defesa de Henrique Vorcaro

A defesa do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, afirmou que a decisão de prender o empresário, nesta quinta-feira (14/5), “se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”.

Disse ainda que os apontamentos sobre o esquema de corrupção e envolvimento de policiais federais como informantes não foram repassados nem à defesa, nem a Henrique.

“O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer”, disse o advogado Eugênio Pacceli.

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