Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Veja como funcionava o grupo "Os Meninos", ligado ao pai de Vorcaro

Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14/5), a sexta fase da Operação Compliance Zero, com a prisão do pai de Daniel Vorcaro

14/05/2026 09:54, atualizado 14/05/2026 11:29
Compartilhar notícia
Michael Melo/Metrópoles
A Operação Compliance Zero tem como alvo um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos

Em nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14/5), a Polícia Federal revelou a existência de uma estrutura paralela de vigilância e intimidação. O grupo, conhecido como “Os Meninos”, seria comandado por David Henrique Alves.

De acordo com a PF, o grupo reuniu pessoas com perfil hacker, remunerados para a execução de invasões, derrubada de perfis, monitoramento ilícito e possível destruição ou ocultação de evidências digitais.

Veja quem fazia parte do núcleo:

  • David Henrique Alves: teria desempenhado papel de comando, execução e sustentação tecnológica do núcleo.
  • Victor Lima Sedlmaier: prestador de serviços a David Henrique.
  • Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos: foi mencionado por Victor como a pessoa que o acompanhava quando ambos se dirigiram à residência de David.
  • Katherine Venâncio Telles: estava presente no veículo conduzido por David quando eram transportados equipamentos eletrônicos potencialmente relacionados às atividades do núcleo.

De acordo com a PF, todos eram, à época, gerenciados por Felipe Mourão, conhecido como Sicário, que tinha como objetivo atender comandos emanados do núcleo central da organização criminosa.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Ainda na decisão, a Polícia Federal identificou que David era remunerado por Mourão, em valor mensal aproximado de R$ 35 mil, com provável ingresso de recursos por intermédio da empresa Bipe Software Brasil Ltda.

Como identificado na terceira fase da Operação Compliance Zero, os núcleos “receberiam ao todo, incluído a participação do próprio Felipe Mourão, a quantia aproximada de R$ 1 milhão divididos”.

“Ele manda o mensal, e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos, mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal. Ele manda 1 e ,quando você manda bônus, eu divido entre os meninos e a Turma”, diz mensagem de Mourão a Vorcaro interceptada pela PF.

A operação

Segundo a Polícia Federal, nesta quinta, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete de prisão preventiva, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

Ainda foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens.

Henrique foi alvo de um dos sete mandados de prisão da operação, que teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Informações preliminares relatam que o empresário viajaria nesta quinta para Brasília, onde visitaria o filho, preso na Superintendência da PF em Brasília. Henrique também foi alvo de busca e apreensão. Ele foi preso em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e levado para a sede da PF na capital mineira.

Segundo informações da PF, uma delegada, Valéria Vieira Pereira da Silva, foi afastada de suas funções, e um agente da corporação, Francisco José Pereira da Silva, marido de Valéria, foi preso. Ambos são lotados no Rio de Janeiro. Eles são suspeitos de repassar informações da corporação para Daniel Vorcaro.

O que diz a defesa do pai de Vorcaro

A defesa do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, afirmou que a decisão de prender o empresário, nesta quinta-feira (14/5), “se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”.

Disse ainda que os apontamentos sobre o esquema de corrupção e envolvimento de policiais federais como informantes não foram repassados nem à defesa, nem a Henrique.

“O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer”, disse o advogado Eugênio Pacceli.