Mirelle Pinheiro

Quem eram os integrantes da “A Turma” de Daniel Vorcaro, alvo da PF

Batizada informalmente de “A Turma”, a estrutura já havia aparecido nas fases anteriores da investigação

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte/Metrópoles
vorcaro preso
1 de 1 vorcaro preso - Foto: Arte/Metrópoles

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (14/5), recolocou na mira das investigações um grupo que, segundo a PF, funcionava como uma engrenagem paralela de proteção, intimidação e ocultação patrimonial montada para defender os interesses do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro.

Batizada informalmente de “A Turma”, a estrutura já havia aparecido nas fases anteriores da investigação.

Agora, volta ao foco após a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, em Belo Horizonte.

A PF afirma que o empresário é suspeito de participação no esquema de ocultação patrimonial investigado no caso.

Segundo a corporação, mais de R$ 2,2 bilhões teriam sido identificados em uma conta vinculada ao nome dele durante as apurações.

A defesa nega irregularidades e afirma desconhecer a existência da conta citada pela investigação.

A sexta fase da operação, deflagrada nesta quinta (14), foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao todo, a PF cumpre sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Também foram determinadas medidas de bloqueio de bens, afastamento de funções públicas e sequestro patrimonial.

A investigação apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, ameaça, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.

Segundo a PF, o esquema teria movimentado bilhões de reais por meio de operações consideradas fraudulentas envolvendo o Banco Master e negociações de ativos financeiros sem lastro.

Milícia

Além das suspeitas financeiras, um dos pontos que mais chamaram a atenção nas decisões judiciais foi justamente a existência de uma estrutura paralela de monitoramento e intimidação descrita pelos investigadores como uma espécie de “milícia privada”.

Na decisão que autorizou as prisões em fases anteriores da Compliance Zero, André Mendonça reproduz trechos da investigação da PF que descrevem “A Turma” como um núcleo responsável por vigiar jornalistas, autoridades, ex-funcionários, adversários empresariais e qualquer pessoa considerada ameaça aos interesses do grupo ligado ao Banco Master.

Segundo a PF, a estrutura era comandada operacionalmente por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.

Ele foi preso em etapa anterior da investigação e morreu posteriormente na prisão.

Os investigadores afirmam que Mourão coordenava atividades de monitoramento, obtenção de informações sigilosas e ações de intimidação.

As investigações apontam que o grupo realizava consultas indevidas em sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol, utilizando credenciais funcionais de terceiros para acessar informações protegidas por sigilo.

Em uma das mensagens citadas pela decisão, Mourão informa que “a turma está perguntando” sobre pagamentos mensais. Segundo a PF, o grupo recebia recursos enviados por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e apontado como operador financeiro da organização.

De acordo com os investigadores, Zettel fazia a ponte financeira entre o núcleo econômico do esquema e os integrantes responsáveis pelas ações clandestinas de monitoramento e coerção.

A decisão afirma que ele operacionalizava pagamentos e ajudava a estruturar contratos simulados para movimentar recursos e ocultar a origem do dinheiro.

Outro nome apontado pela PF como integrante da estrutura é o do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Segundo os investigadores, ele atuava como um dos principais operadores do grupo, utilizando experiência e contatos da carreira policial para obtenção de informações sensíveis e acompanhamento de alvos.

As conversas interceptadas pela PF mostram um ambiente de vigilância constante e linguagem violenta.

Em um dos trechos citados na decisão, Daniel Vorcaro comenta sobre um jornalista que publicava reportagens consideradas negativas ao banco e afirma que queria “mandar dar um pau nele” e “quebrar todos os dentes num assalto”.

A decisão do STF também aponta que a organização criminosa possuía divisão clara de tarefas.

Segundo a PF, havia um núcleo financeiro voltado às operações bancárias investigadas; um núcleo de corrupção institucional, responsável por cooptação de agentes públicos; um núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro; e o braço de intimidação e obstrução de Justiça, representado justamente por “A Turma”.

Quem são os integrantes de “A Turma”, segundo a PF

  • Daniel Vorcaro — apontado como líder do grupo investigado e responsável pelas ordens estratégicas ligadas à estrutura clandestina de monitoramento e intimidação.
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (“Sicário”) — descrito como coordenador operacional da estrutura. Segundo a PF, comandava ações de vigilância, monitoramento de alvos, obtenção de dados sigilosos e intimidação. Foi preso em fase anterior e morreu posteriormente na prisão.
  • Fabiano Zettel — cunhado de Daniel Vorcaro e apontado como operador financeiro do esquema. De acordo com a investigação, fazia pagamentos aos integrantes da estrutura e ajudava a operacionalizar contratos simulados e movimentações financeiras.
  • Marilson Roseno da Silva — policial federal aposentado apontado como operador do núcleo de inteligência paralela. Segundo a PF, utilizava experiência e contatos da carreira policial para acessar dados e acompanhar alvos de interesse do grupo.
  • Henrique Moura Vorcaro — pai de Daniel Vorcaro e alvo da nova fase da operação. A PF aponta suspeitas de participação em esquema de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro ligado às movimentações bilionárias investigadas.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?