Justiça nega liberdade a suspeita de matar Beatriz Vitória em MG
Defesa da suspeita alegou falta de provas, suposta coação policial e pediu substituição da prisão por medidas cautelares

Belo Horizonte — O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Carla Luíza da Silva, de 23 anos, suspeita de envolvimento no assassinato de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A decisão foi assinada nessa terça-feira (27/10) pelo desembargador Guilherme de Azeredo Passos.
Carla está presa preventivamente desde 21 de outubro, investigada pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver. A defesa entrou com um habeas corpus para tentar conseguir a soltura da suspeita, alegando que não existem indícios suficientes de autoria e que a decisão que determinou a prisão não apresentou fundamentos individualizados para justificar a medida.
Os advogados também afirmaram que Carla teria sofrido coação física e moral durante a atuação policial, com supostas tentativas dos agentes de obter uma confissão. A defesa destacou ainda que a investigada é ré primária, possui residência fixa e vínculo formal de trabalho.
Diante disso, pediu a revogação da prisão preventiva, inclusive com a possibilidade de aplicação de medidas cautelares alternativas.
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Ao analisar o pedido, o desembargador entendeu que não havia elementos suficientes para conceder a liberdade de forma liminar, antes do julgamento definitivo do habeas corpus. Na decisão, o magistrado afirmou que a concessão de uma liminar exige a demonstração de um constrangimento ilegal evidente, situação que, segundo ele, não foi identificada inicialmente.
“A concessão de liminar em Habeas Corpus pressupõe a prova pré-constituída de flagrante constrangimento ilegal, o que, por ora, não se verifica”, escreveu.
O relator determinou que o juízo responsável pela prisão apresente informações sobre o caso no prazo de 48 horas. Depois, o processo será encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça para emissão de parecer, antes do julgamento definitivo do pedido.
Com a decisão, Carla permanece presa preventivamente. A negativa da liminar não encerra a análise do habeas corpus, que ainda será julgado pelo colegiado.
Relembre o caso
Beatriz Vitória desapareceu em 9 de outubro, após sair de um bar em Jaboticatubas. Segundo o boletim de ocorrência, a jovem estava com amigos quando um carro parou nas proximidades. Ela se aproximou do veículo e avisou que retornaria em poucos minutos, mas não foi mais vista.
Após quase duas semanas de buscas, o corpo foi encontrado em 21 de outubro, enterrado em uma cova rasa na zona rural da cidade. A vítima estava com as mãos amarradas para trás e apresentava sinais de violência.
Além de Carla, Samuel Castro Melo, de 18 anos, ex-namorado de Beatriz e atual companheiro da investigada, também foi preso preventivamente.
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a principal linha de investigação aponta que o crime pode ter sido motivado por ciúmes ou desavenças entre Beatriz e Carla.
Imagens de câmeras de segurança também mostraram Carla carregando recipientes de soda cáustica dentro de uma loja em 7 de outubro, dois dias antes do desaparecimento da vítima. A substância teria sido utilizada para acelerar a decomposição do corpo.
A polícia identificou ainda indícios de premeditação, incluindo a existência de uma cova preparada antes da morte da jovem.
Uma adolescente de 15 anos, que levou os investigadores até o local onde o corpo estava enterrado, também é investigada por possível participação no crime.
Devido ao estado avançado de decomposição do corpo, a família de Beatriz teve apenas 30 minutos para se despedir da jovem durante o velório, realizado em 23 de outubro.
A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias do assassinato e a participação de cada um dos envolvidos.






