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Minas Gerais

Beatriz Vitória: 6 perguntas ainda sem resposta sobre o feminicídio em MG

Dois suspeitos estão presos, mas perícias e depoimentos ainda devem esclarecer possibilidade de gravidez e a dinâmica do crime

23/10/2026 02:00
redes sociais
Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota

Belo Horizonte – A morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, é investigada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) como feminicídio motivado por ciúmes. O ex-namorado da jovem, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele, Carla Luíza da Silva, de 23, estão presos suspeitos de envolvimento no crime.

O corpo de Beatriz foi encontrado enterrado em uma área rural do município em 21 de outubro, quase duas semanas após o desaparecimento. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22/10), a polícia apresentou detalhes da investigação, que também envolve uma adolescente de 15 anos.

Apesar dos avanços, ainda há questões a esclarecer, como a causa da morte, a possibilidade de a vítima estar grávida e o grau de participação de cada investigado.

Mensagens encontradas nos celulares apreendidos acrescentaram outro elemento ao caso: segundo a investigação divulgada pela polícia, o casal planejava fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte da jovem. A análise dos aparelhos e os exames periciais devem ajudar a esclarecer as circunstâncias do feminicídio.

O que ainda falta esclarecer

1. Beatriz estava grávida?

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A possibilidade foi levantada por familiares da vítima. O irmão dela, Maxwell Mota, contou que a suspeita surgiu a partir de informações compartilhadas pela irmã mais nova e que a mãe e a irmã mais velha também desconfiavam de uma possível gravidez.

“Não dá para afirmar se ela estava grávida. A mãe também suspeitava, e a irmã mais velha também suspeitava, mas a gente não tem como confirmar”, disse Maxwell.

O delegado Alexandre Fonseca afirmou que os exames do Instituto Médico Legal (IML) poderão esclarecer a questão. “Com relação à gravidez, o IML tem condições de também dar essa resposta. Nós estamos aguardando”, declarou.

2. Como Beatriz foi morta?

A perícia ainda deve esclarecer as circunstâncias da morte. Segundo o delegado, os exames também poderão ajudar a verificar a possibilidade de uso de substâncias químicas, como soda cáustica. Até o momento, não há confirmação pública sobre o método utilizado para matar a jovem.

3. Qual foi a participação da adolescente?

A jovem de 15 anos estava no carro com os suspeitos e é investigada pela polícia. Em depoimento, ela afirmou que permaneceu no veículo enquanto o casal saiu com Beatriz e retornou sem a vítima.

A adolescente disse que não presenciou o homicídio. Neste momento, é tratada como testemunha, mas sua versão ainda será confrontada com outras provas. O celular dela foi apreendido, e a polícia não descarta esclarecer uma eventual participação no crime a partir da análise do aparelho.

delegado Alexandre Fonseca e investigadores da Polícia Civil MG
Delegado Alexandre Fonseca e investigadores da Polícia Civil Minas Gerais em coletiva sobre o caso nesta quinta-feira (22/10)

4. Como o crime foi planejado e executado?

De acordo com o delegado, a existência de uma cova preparada antes da execução indica que o crime foi premeditado. A polícia também investiga a participação de cada suspeito nas etapas do assassinato e da ocultação do corpo.

Segundo Fonseca, Samuel admitiu que dirigia o Volkswagen Up branco e que buscou Beatriz no bar, mas atribuiu o planejamento e a execução à adolescente. A polícia, porém, considera que os três podem ter relação com o caso.

5. O que motivou o feminicídio?

A principal linha de investigação aponta para uma desavença entre Beatriz e Carla, atual namorada de Samuel. Para a polícia, ciúmes ou inconformidade com o relacionamento anterior podem ter motivado o crime.

Mensagens encontradas nos celulares dos dois adultos indicam que eles planejavam fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte de Beatriz. O conteúdo integra os elementos que estão sendo analisados pela investigação.

6. As versões dos suspeitos se sustentam?

Carla reservou-se o direito de permanecer em silêncio durante o depoimento. Samuel, por sua vez, admitiu que estava no carro que buscou Beatriz, mas atribuiu à adolescente a responsabilidade pelo planejamento e pela execução do crime.

A Polícia Civil contesta essa versão e afirma que os elementos reunidos até agora indicam possível participação dos três. A análise dos celulares e os demais procedimentos investigativos devem ajudar a esclarecer as responsabilidades.

Polícia Civil MG/Divulgaçãocartaz de desaparecimento de Beatriz Vitória Mota
Beatriz foi vista pela última vez ao se aproximar de um carro enquanto estava com amigos

Relembre o caso, passo a passo

9 de outubro: Beatriz desaparece após sair de bar

Beatriz estava em um bar com amigos, em Jaboticatubas, quando um veículo parou nas proximidades. Segundo o boletim de ocorrência, ela se aproximou para conversar com os ocupantes e avisou aos amigos que retornaria em cinco a dez minutos.

A jovem, porém, não voltou. A mãe tentou entrar em contato por ligações e mensagens, sem sucesso, e registrou o desaparecimento.

12 de outubro: Polícia começa a investigar o sumiço

A Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento e divulgou informações sobre o caso. Na ocasião, a principal referência para a apuração era o fato de Beatriz ter sido vista pela última vez ao se aproximar de um carro enquanto estava com amigos.

21 de outubro: Corpo é encontrado em área rural

Após quase duas semanas de buscas, investigadores localizaram um corpo enterrado em uma área rural de Jaboticatubas. Inicialmente, havia suspeita de que fosse Beatriz.

Uma perita identificou uma tatuagem na perna da vítima. A fotografia da marca foi enviada ao irmão da jovem, que confirmou a identidade. A Polícia Civil anunciou oficialmente que o corpo era de Beatriz.

No mesmo dia, Samuel e Carla foram presos suspeitos de envolvimento no crime. Os celulares dos dois foram apreendidos para análise.

22 de outubro: Polícia aponta ciúmes e detalha investigação

Em entrevista coletiva, o delegado Alexandre Fonseca afirmou que a principal linha de investigação é a de feminicídio motivado por ciúmes ou desavença entre Beatriz e a atual namorada do ex-companheiro.

A polícia informou que a vítima estava com as mãos amarradas para trás e que o corpo foi ocultado após o assassinato. A existência de uma cova preparada previamente também levou os investigadores a apontar indícios de premeditação.

A participação da adolescente de 15 anos passou a ser detalhada publicamente. Embora ela seja tratada como testemunha neste momento, a apreensão do celular indica que sua versão ainda será investigada.

Também foram divulgadas mensagens que apontam que o casal planejava fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte da jovem.

Larissa Ricci/MetrópolesMaxwell Mota, irmão de Beatriz Mota
Maxwell Mota, irmão de Beatriz Mota cobra justiça para a irmã

Família cobra justiça

O irmão de Beatriz afirmou que a família sofreu muito com o desaparecimento e com a confirmação da morte. Maxwell também relatou ter recebido ameaças do pai de uma das suspeitas e disse que pretende divulgar áudios relacionados ao episódio.

Ele elogiou o trabalho da Polícia Civil e afirmou que acompanhava as investigações desde o início. Para a família, a expectativa agora é que todos os envolvidos sejam responsabilizados.

“A gente quer justiça e esperamos justiça”, declarou.

A investigação segue em andamento. A conclusão dos exames periciais, a análise dos celulares e o aprofundamento dos depoimentos devem ajudar a esclarecer os pontos que permanecem em aberto no caso.