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Minas Gerais

Caso Beatriz Vitória: família terá apenas 30 minutos para velar jovem em MG

O corpo de Beatriz Vitória foi encontrado em estado avançado de decomposição e os suspeitos teriam usado soda cáustica após o crime

23/10/2026 09:12
redes sociais
Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota

Belo Horizonte — A família de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, encontrada morta em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, terá apenas 30 minutos para se despedir da jovem nesta sexta-feira (23/10). O velório e o sepultamento estão previstos para ocorrer entre 17h e 17h30, no Cemitério Municipal de Jaboticatubas.

Segundo Marcus Torres, advogado que representa a família, o tempo reduzido de despedida se deve às condições em que o corpo foi encontrado. Beatriz estava em avançado estado de decomposição e, segundo a defesa, há suspeita de que tenha sido utilizada soda cáustica após o crime.

O estado do corpo impossibilitou a realização dos procedimentos de conservação e preparação para o velório, limitando a cerimônia a apenas meia hora.

O corpo foi encontrado enterrado em uma cova rasa na zona rural da cidade no última quarta-feira (21/10), quase duas semanas após o desaparecimento. Na mesma data, dois suspeitos foram presos, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele, Carla Luíza da Silva, de 23. O crime é investigado como feminicídio.

O que se sabe

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22/10), a polícia apresentou detalhes da investigação, que também envolve uma adolescente de 15 anos, quem levou a polícia até o local.

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A principal linha de investigação aponta para uma desavença entre Beatriz e Carla, atual namorada de Samuel. Para a polícia, ciúmes ou inconformidade com o relacionamento anterior podem ter motivado o crime.

Mensagens encontradas nos celulares dos dois adultos indicam que eles planejavam fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte de Beatriz.

De acordo com a polícia, a existência de uma cova preparada antes da execução indica que o crime foi premeditado.

Carla reservou-se o direito de permanecer em silêncio durante o depoimento. Samuel, por sua vez, admitiu que estava no carro que buscou Beatriz, mas atribuiu à adolescente, de 15 anos, que levou a polícia até ocorpo, a responsabilidade pelo planejamento e pela execução do crime.

A PC contesta essa versão e afirma que os elementos reunidos até agora indicam possível participação dos três.

A possibilidade de que Beatriz estava grávida foi levantada por familiares da vítima. O irmão dela, Maxwell Mota, contou que a suspeita surgiu a partir de informações compartilhadas pela irmã mais nova e que a mãe e a irmã mais velha também desconfiavam:

“Não dá para afirmar se ela estava grávida. A mãe também suspeitava, e a irmã mais velha também suspeitava, mas a gente não tem como confirmar”, disse Maxwell, nessa quinta (22/10), à imprensa.

O delegado Alexandre Fonseca afirmou que os exames do Instituto Médico Legal (IML) poderão esclarecer a questão. “Com relação à gravidez, o IML tem condições de também dar essa resposta. Nós estamos aguardando”, declarou.

Polícia Civil MG/Divulgaçãocartaz de desaparecimento de Beatriz Vitória Mota
Beatriz foi vista pela última vez ao se aproximar de um carro enquanto estava com amigos

Relembre o caso

9 de outubro: Beatriz desaparece após sair de bar

Beatriz estava em um bar com amigos, em Jaboticatubas, quando um veículo parou nas proximidades. Segundo o boletim de ocorrência, ela se aproximou para conversar com os ocupantes e avisou aos amigos que retornaria em cinco a dez minutos.

A jovem, porém, não voltou. A mãe tentou entrar em contato por ligações e mensagens, sem sucesso, e registrou o desaparecimento.

12 de outubro: Polícia começa a investigar o sumiço

A Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento e divulgou informações sobre o caso. Na ocasião, a principal referência para a apuração era o fato de Beatriz ter sido vista pela última vez ao se aproximar de um carro enquanto estava com amigos.

21 de outubro: Corpo é encontrado em área rural

Após quase duas semanas de buscas, investigadores localizaram um corpo enterrado em uma área rural de Jaboticatubas. Inicialmente, havia suspeita de que fosse Beatriz.

Uma perita identificou uma tatuagem na perna da vítima. A fotografia da marca foi enviada ao irmão da jovem, que confirmou a identidade. A Polícia Civil anunciou oficialmente que o corpo era de Beatriz.

No mesmo dia, Samuel e Carla foram presos suspeitos de envolvimento no crime. Os celulares dos dois foram apreendidos para análise.

22 de outubro: Polícia aponta ciúmes e detalha investigação

Em entrevista coletiva, o delegado Alexandre Fonseca afirmou que a principal linha de investigação é a de feminicídio motivado por ciúmes ou desavença entre Beatriz e a atual namorada do ex-companheiro.

A polícia informou que a vítima estava com as mãos amarradas para trás e que o corpo foi ocultado após o assassinato. A existência de uma cova preparada previamente também levou os investigadores a apontar indícios de premeditação.

A participação da adolescente de 15 anos passou a ser detalhada publicamente. Embora ela seja tratada como testemunha neste momento, a apreensão do celular indica que sua versão ainda será investigada.

Também foram divulgadas mensagens que apontam que o casal planejava fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte da jovem.

Larissa Ricci/MetrópolesMaxwell Mota, irmão de Beatriz Mota
Maxwell Mota, irmão de Beatriz Mota cobra justiça para a irmã

Família cobra justiça

O irmão de Beatriz afirmou que a família sofreu muito com o desaparecimento e com a confirmação da morte. Maxwell também relatou ter recebido ameaças do pai de uma das suspeitas e disse que pretende divulgar áudios relacionados ao episódio.

Ele elogiou o trabalho da PC e afirmou que acompanhava as investigações desde o início. Para a família, a expectativa agora é que todos os envolvidos sejam responsabilizados.

“A gente quer justiça e esperamos justiça”, declarou.

A investigação segue em andamento. A conclusão dos exames periciais, a análise dos celulares e o aprofundamento dos depoimentos devem ajudar a esclarecer os pontos que permanecem em aberto no caso.