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Minas Gerais

MG: casal suspeito da morte de Beatriz tem prisão convertida em preventiva

Samuel Castro e Carla Luiza tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva, após audiência de custódia nesta quinta (22/10)

22/10/2026 19:36
redes sociais
Samuel Castro Melo e Carla Luiza da Silva tiveram a prisão em flagrante convertida após corpo de Beatriz Vitória

Belo Horizonte – O casal Samuel Castro Melo, de 18 anos, e Carla Luiza da Silva, de 23 anos, presos sob suspeita de envolvimento na morte da jovem Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva nesta quinta-feira (22/10). A decisão foi proferida pelo juiz Rodrigo Fernando Di Gioia Colosimo, da Vara Única da Comarca de Jaboticatubas, após a audiência de custódia.

O magistrado homologou o auto de prisão em flagrante lavrado pela Delegacia Especializada de Localização de Pessoa Desaparecida da Polícia Civil de Minas Gerais e converteu a medida em prisão preventiva para garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e asseguração da aplicação da lei penal.

Os pedidos de relaxamento da prisão, liberdade provisória (com ou sem fiança) e medidas cautelares alternativas foram indeferidos.

Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, estava desaparecida desde a noite de 9 de outubro de 2026, quando foi vista pela última vez nas imediações do Bar do Eduardo, na Alameda Buritis, bairro Bosque dos Coqueiros. No dia 21 de outubro, a adolescente Maria Eduarda Noronha Dias, ouvida na presença do pai, retratou versão anterior e relatou que Samuel e Carla a buscaram em casa no Volkswagen UP, atraíram a vítima sob o pretexto de conversar sobre desavenças e a levaram até uma área de lotes vagos na zona rural conhecida como Terra dos Portugueses.

O casal desceu com Beatriz, permaneceu na vegetação por 30 a 60 minutos e retornou sozinho.

Guiados pela adolescente, os policiais localizaram porção de terra recentemente revolvida. Ao escavar, encontraram o corpo da jovem enterrado em cova de média profundidade, com as mãos amarradas para trás por arame, sinais de trauma contundente, tijolo com marcas de sangue e resquícios de embalagem de soda cáustica usada para acelerar a decomposição do corpo. O cadáver foi reconhecido pelo irmão da vítima, Maxwell Sérgio Marques Mota, pela tatuagem na perna.

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Os investigados foram presos na residência de Carla, na Rua Padre Geraldo Magela de Oliveira, nº 35, bairro Santo Antônio. A autoridade policial não arbitrou fiança e representou pela conversão da prisão em preventiva.

Na decisão, o juiz destacou que o crime de ocultação de cadáver (art. 211 do Código Penal) é permanente. Enquanto o corpo permanecia oculto, a flagrância se mantinha, nos termos do art. 303 do Código de Processo Penal. A captura ocorreu logo após a descoberta da cova, em 21 de outubro, configurando flagrante próprio.

A restrição eleitoral do art. 236 do Código Eleitoral (próximo ao segundo turno de 25 de outubro) não se aplica a prisões em flagrante.

Quanto à preventiva, o magistrado apontou materialidade robusta (corpo localizado, laudos preliminares, depoimentos) e indícios de autoria. Samuel admitiu dirigir o veículo, ligar para a vítima e transportá-la ao local. Carla, segundo a adolescente, articulou o encontro, viajou no banco do passageiro e retornou sem Beatriz. Havia histórico de animosidade motivada por ciúmes.

Polícia Civil MG/Divulgaçãoagente da Polícia Civil encontra cova de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos
Agente da Polícia Civil encontra cova onde Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, foi enterrada

O juiz ressaltou a gravidade concreta do modus operandi: emboscada, imobilização com arame, golpes contundentes na cabeça, cova preparada e uso de soda cáustica. Considerou ainda o risco à adolescente de 15 anos, que temeu represálias por ter levado a polícia ao local; a necessidade de preservar provas (celular da vítima não localizado, apenas a capa; veículo UP branco, placa PUU-6H50, ainda desaparecido); e o risco de fuga, evidenciado pelo esforço em ocultar o corpo e criar álibis por quase duas semanas.

Medidas cautelares diversas da prisão foram consideradas insuficientes para proteger a testemunha e assegurar a produção de provas em comarca de pequeno porte.

O juiz autorizou a extração integral de dados dos três celulares apreendidos, determinou a urgência de laudos de necropsia, levantamento do local, exame do tijolo e exames de corpo de delito, restringiu a circulação do veículo via Renajud e determinou sua busca e apreensão para perícia. A decisão tem força de mandado.

O Ministério Público havia se manifestado pela homologação do flagrante e pela conversão em preventiva para ambos.