Fiemg defende volta da "taxa das blusinhas" para proteger indústria
Federação afirma que fim da tributação favorece importados e amplia desafios da indústria brasileira diante das tarifas dos Estados Unidos

Belo Horizonte – A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) voltou a defender a retomada da tributação sobre importações de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. Para a entidade, as revogação da cobrança aumentou a vantagem competitiva dos produtos importado, principalmente os chineses, em um momento em que a indústria nacional também enfrenta os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.
A tributação foi suspensa por meio de uma Medida Provisória publicada em maio e deverá ser analisada pelo Congresso Nacional até setembro. Na avaliação da Fiemg, a medida compromete a competitividade da indústria brasileira ao facilitar a entrada de mercadorias importadas com preços inferiores aos dos produtos fabricados no país.
Dados citados pela entidade mostram que, somente em junho, as importações de produtos de baixo valor somaram R$ 2,6 bilhões, crescimento superior a 100% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, a revogação da chamada “taxa das blusinhas” teve caráter eleitoreiro e aprofundou as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“A indústria não busca protecionismo. O que se defende é isonomia nas condições de competição. Enquanto os produtos importados, especialmente os chineses, chegam ao Brasil sem enfrentar o chamado Custo Brasil, a indústria nacional continua arcando com uma elevada carga tributária e entraves estruturais”, afirmou.
A Fiemg destaca que a preocupação com a isenção não é recente. Antes da aprovação da tributação, em 2024, um estudo elaborado pela entidade estimava que a manutenção da isenção poderia provocar a perda de 1,1 milhão de empregos e uma redução de R$ 99 bilhões no faturamento do setor produtivo brasileiro.
Para a federação, o cenário se agravou porque a indústria enfrenta dois desafios simultâneos: a perda de competitividade no mercado externo, em razão das tarifas impostas pelos Estados Unidos, e o aumento da concorrência no mercado interno com produtos importados.
“É uma combinação particularmente desfavorável, porque comprime a indústria tanto no mercado externo quanto no doméstico”, destacou João Gabriel Pio.
Além da retomada da tributação sobre as compras internacionais de pequeno valor, a entidade defende a adoção de medidas estruturais para fortalecer a indústria brasileira, como a redução do chamado Custo Brasil, investimentos em infraestrutura logística e energética, equilíbrio fiscal e ampliação do acesso ao crédito.
Apesar de ser popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, a cobrança não se limita ao setor de vestuário. As remessas internacionais incluem também componentes eletrônicos e diversos outros bens de consumo, impactando diferentes segmentos da economia.



