Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Vinicius Passarelli

MP pede impugnação de candidatura de deputada por uso de "Bolsonaro"

Procuradoria Regional Eleitoral diz que uso do nome "Fabiana Bolsonaro" na urna gera dúvida no eleitor e causa desequilíbrio na disputa

09/08/2026 04:30
Reprodução/Redes sociais
Imagem colorida mostra Fabiana Bolsonaro - Metrópoles

A Procuradoria Regional Eleitoral propôs uma ação de impugnação do pedido de registro de candidatura à reeleição da deputada estadual por São Paulo Fabiana de Lima Barroso, conhecida por Fabiana Bolsonaro.

O órgão argumenta que o uso do sobrenome no nome de urna pode sugerir algum grau de parentesco com Jair Bolsonaro (PL). A parlamentar não é familiar do ex-presidente.

“Trata-se, portanto, de nome de urna capaz de estabelecer dúvida quanto à identidade da candidata, o que é expressamente vedado. Ademais, o uso de ‘Bolsonaro’ no nome de urna por candidato que não pertence à família do ex-Presidente da República nem possui o referido sobrenome em seu registro civil pode gerar migração de votos e causar desequilíbrio no pleito”, afirmou o procurador Paulo Taubemblatt.

A ação de impugnação ainda cita casos precedentes nos quais a Justiça Eleitoral barrou o registro de candidaturas cujos nomes de urna escolhidos tivessem “potencial de gerar dúvida quanto à identidade do candidato”, também pelo uso do nome Bolsonaro.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Segundo o documento, Fabiana já havia tentado sair com o nome de Fabiana Bolsonaro em 2022, quando foi eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Após ser impedida pela Justiça Eleitoral, ela concorreu com o nome de urna “Fabiana B.”.

O PL tem sete dias para contestar a impugnação apresentada nos autos. A coluna entrou em contato com a assessoria da deputada. O espaço segue aberto para manifestação.

Blackface

Em março, Fabiana ganhou o noticiário após passar a ser acusada por opositores por possível crime de racismo e transfobia durante discurso Alesp.

Na ocasião, a parlamentar praticou blackface — quando alguém pinta o corpo ou o rosto para representar pessoas negras — para criticar a deputada federal Erika Hilton (PSol).

À época, em nota, a defesa da deputada afirmou que a acusação era uma “mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”.

“Não sou negra, e por isso não tenho lugar de fala em favor dos negros, mas aproveitei para deixar claro o meu respeito e afirmar que não sofro com esse odiável preconceito, porque não sou negra. Em nenhum momento debochei, fiz piada ou desrespeitei a luta histórica do povo negro. Pelo contrário: reconheci e respeitei essas dores reais”, afirmou.