Deputada que fez blackface na Alesp disputou eleição como parda
Fabiana Bolsonaro se apresentou como parda ao TSE para a disputa das eleições de 2022, que acabou eleita como deputada estadual pelo PL
atualizado
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A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL), envolvida em um caso de blackface na sessão dessa quarta-feira (18/3) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), disputou as eleições de 2022 se apresentando como parda.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de se apresentar como parda, a parlamentar gastou mais de R$ 1 milhão na campanha que a elegeu há 4 anos. Na ocasião da candidatura, em 2022, ela divulgou ser empresária e ter um patrimônio de R$ 20 mil.
A deputada estadual de São Paulo Fabiana Bolsonaro (PL) pintou o rosto e parte do corpo de marrom durante uma sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nessa quarta-feira (18/3), para criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSol) para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher, da Câmara dos Deputados, em Brasília. Veja:
A parlamentar bolsonarista iniciou seu discurso dizendo que faria um “experimento social” e começou a passar a tinta enquanto afirmava que, como mulher branca, “mesmo me pintando de negra eu não posso cuidar das pessoas que sofrem o racismo”.
“A gente viu agora essa semana, na comissão federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher. E isso me entristece muito. Não porque ela, uma trans, está como presidente, mas porque está tirando o espaço de fala de uma mulher”, disse.
Durante a fala da sessão, a parlamentar afirmou ainda que mulheres trans não deveriam praticar esportes femininos.
A bolsonarista foi interrompida pela deputada Mônica Seixas (PSol) que solicitou a interrupção da sessão. “A gente está assistindo um caso de blackface no plenário da Assembleia Legislativa. É um caso de polícia. É racismo e transfobia”, disse a parlamentar.
Blackface é o nome dado à prática de pintar o rosto com tinta de cor escura para ridicularizar negros. Fabiana Bolsonaro negou que estivesse cometendo blackface.
Depois do episódio, a deputada Mônica Seixas (PSol) registrou boletim de ocorrência contra Fabiana Bolsonaro (PL) na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
Conselho de Ética
A deputada estadual Beth Sahão (PT) entrou com representação no Conselho de Ética contra a deputada Fabiana pelos crimes de racismo e transfobia durante fala na tribuna da Casa.
Para ela, não restaria dúvida sobre a gravidade do comportamento da parlamentar. “Ela destilou todo seu racismo e sua transfobia durante sua fala, e ambas as atitudes configuram crimes. Seja a transfobia, que já foi tipificada como crime pelo Supremo desde 2019, seja o racismo, que toda a sociedade sabe que é crime”, afirmou.
Beth disse que outras colegas parlamentares que ficaram igualmente indignadas com a atitude de Fabiana também assinam a representação. “Esperamos que o Conselho de Ética seja ágil o suficiente para estabelecer as punições necessárias contra essa deputada”, enfatizou a líder da Minoria. “Naturalizar o racismo e a transfobia é um absurdo, é inaceitável”, acrescentou.
Quem é Fabiana Bolsonaro
- Fabiana Bolsonaro foi eleita deputada estadual em 2022 pelo Partido Liberal (PL).
- Na campanha, ela defendeu pautas ligadas à direita, como antiaborto e guerra às drogas.
- Fabiana, de 3o anos, apesar de se apresentar com o sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não possui qualquer vínculo com a família.
- Natural de Barrinha, no interior de São Paulo, ela é considerada a vice-prefeita mais jovem do país: foi eleita em sua cidade natal aos 27 anos.
- Segundo informações da Alesp, a parlamentar se apresenta “contra a ideologia de gênero para crianças, pela defesa do cristianismo, defesa e incentivo ao agronegócio, defesa da vida e família, proteção e defesa da mulher, defesa do armamento, contra o aborto e drogas”.
- Fabiana também atua na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulheres e foi por causa dele que ela protagonizou a recente polêmica.
Conselho de Ética é acionado
Parlamentares da esquerda protocolaram uma representação no Conselho de Ética da Alesp após o ocorrido, que poderá investigar a conduta por possível quebra de decoro, levando à perda do mandado por práticas discriminatórias de racismo e transfobia.
O ato de blackface, quando uma pessoa não negra pinta o rosto ou o corpo com tinta escura para simular ou representar uma pessoa negra, de forma caricata e estereotipada, é considerado racismo, crime no Brasil tipificado pela Lei nº 7.716/1989.


















