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São Paulo

Deputada faz blackface em sessão da Alesp para criticar Erika Hilton

Fabiana Bolsonaro (PL) pintou rosto de marrom para criticar eleição de Hilton para a Comissão das Mulhres, em Brasília

18/03/2026 17:08, atualizado 20/03/2026 09:36
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Reprodução Alesp
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A deputada estadual de São Paulo Fabiana Bolsonaro (PL) pintou o rosto e parte do corpo de marrom durante uma sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nesta quarta-feira (18/3), para criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSol) para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher, da Câmara dos Deputados, em Brasília. Veja:

A parlamentar bolsonarista iniciou seu discurso dizendo que faria um “experimento social” e começou a passar a tinta enquanto afirmava que, como mulher branca, “mesmo me pintando de negra eu não posso cuidar das pessoas que sofrem o racismo”.

“A gente viu agora essa semana, na comissão federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher. E isso me entristece muito. Não porque ela, uma trans, está como presidente, mas porque está tirando o espaço de fala de uma mulher”, disse.

Durante a fala da sessão, a parlamentar afirmou ainda que mulheres trans não deveriam praticar esportes femininos.

A bolsonarista foi interrompida pela deputada Mônica Seixas (PSol) que solicitou a interrupção da sessão. “A gente está assistindo um caso de blackface no plenário da Assembleia Legislativa. É um caso de polícia. É racismo e transfobia”, disse a parlamentar.

Blackface é o nome dado à prática de pintar o rosto com tinta de cor escura para ridicularizar negros. Fabiana Bolsonaro negou que estivesse cometendo blackface.

Depois do episódio, a deputada Mônica Seixas (PSol) registrou boletim de ocorrência contra Fabiana Bolsonaro (PL) na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

Conselho de Ética

A deputada estadual Beth Sahão (PT) entrou com representação no Conselho de Ética contra a deputada Fabiana pelos crimes de racismo e transfobia durante fala na tribuna da Casa.

Para ela, não restaria dúvida sobre a gravidade do comportamento da parlamentar. “Ela destilou todo seu racismo e sua transfobia durante sua fala, e ambas as atitudes configuram crimes. Seja a transfobia, que já foi tipificada como crime pelo Supremo desde 2019, seja o racismo, que toda a sociedade sabe que é crime”, afirmou.

Beth disse que outras colegas parlamentares que ficaram igualmente indignadas com a atitude de Fabiana também assinam a representação. “Esperamos que o Conselho de Ética seja ágil o suficiente para estabelecer as punições necessárias contra essa deputada”, enfatizou a líder da Minoria. “Naturalizar o racismo e a transfobia é um absurdo, é inaceitável”, acrescentou.

O que diz Fabiana Bolsonaro

Em nota ao Metrópoles, a defesa da deputada Fabiana Bolsonaro negou que ela tenha feito black face na Alesp. “É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”, diz a nota.

“Não sou negra, e por isso não tenho lugar de fala em favor dos negros, mas aproveitei para deixar claro o meu respeito e afirmar que não sofro com esse odiável preconceito, porque não sou negra. Em nenhum momento debochei, fiz piada ou desrespeitei a luta histórica do povo negro. Pelo contrário: reconheci e respeitei essas dores reais”, continua o texto.

“Respeito quem é negro, quem é trans, quem é o que quiser ser. Que cada um assuma, com dignidade, seu lugar na sociedade, com liberdade e respeito, cada qual defendendo os seus próprios direitos”, finaliza a nota.

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