Blackface: quem é Fabiana Bolsonaro, deputada que atacou Erika Hilton
Discurso da deputada Fabiana Bolsonaro, do PL, na Alesp nessa quarta (19/3) foi considerado racista e transfóbico
atualizado
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A deputada estadual Fabiana Bolsonaro, envolvida em um caso de blackface na sessão dessa quarta-feira (18/3) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), foi eleita em 2022 pelo Partido Liberal (PL) defendendo pautas ligadas à direita, como antiaborto e guerra às drogas.
Fabiana, de 3o anos, apesar de se apresentar com o sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não possui qualquer vínculo com a família. Natural de Barrinha, no interior de São Paulo, ela é considerada a vice-prefeita mais jovem do país: foi eleita em sua cidade natal aos 27 anos.
Segundo informações da Alesp, a parlamentar se apresenta “contra a ideologia de gênero para crianças, pela defesa do cristianismo, defesa e incentivo ao agronegócio, defesa da vida e família, proteção e defesa da mulher, defesa do armamento, contra o aborto e drogas”.
Fabiana também atua na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulheres e foi por causa dele que ela protagonizou a recente polêmica.
Blackface e crítica a Erika Hilton
Na sessão da Alesp dessa quarta (18/3), Fabiana Bolsonaro pintou o rosto e parte do corpo de marrom, uma prática conhecida como blackface, como forma de crítica à deputada federal Erika Hilton (Psol), eleita para a presidência da Comissão de Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília.
“A gente viu agora essa semana, na comissão federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher. E isso me entristece muito. Não porque ela, uma trans, está como presidente, mas porque está tirando o espaço de fala de uma mulher”, disse.
A parlamentar foi interrompida pela deputada Mônica Seixas (Psol), que registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.
Conselho de Ética é acionado
Parlamentares da esquerda protocolaram uma representação no Conselho de Ética da Alesp após o ocorrido, que poderá investigar a conduta por possível quebra de decoro, levando à perda do mandado por práticas discriminatórias de racismo e transfobia.
O ato de blackface, quando uma pessoa não negra pinta o rosto ou o corpo com tinta escura para simular ou representar uma pessoa negra, de forma caricata e estereotipada, é considerado racismo, crime no Brasil tipificado pela Lei nº 7.716/1989.
