Lula critica corte mínimo dos juros: “Porra, essa guerra até no BC?”
Petista disse que poderia estar feliz, mas está triste com queda de 0,25 ponto percentual da Selic, anunciada na véspera pelo Banco Central
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (19/3), o corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros do país, a Selic, promovido na véspera pelo Banco Central (BC). O petista considerou a redução pequena, afirmou que estava “triste” com a decisão da autoridade monetária e não resistiu a disparar um palavrão.
“Hoje é um dia que eu poderia estar mais feliz, mas estou triste”, disse o presidente, em evento realizado em São Paulo. “Triste porque esperava que o Banco Central abaixasse os juros em pelo menos em 0,5%. E abaixou só 0,25% dizendo que é por causa da guerra. Porra, essa guerra até no nosso Banco Central?”, disparou.
Na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, anunciou corte de 0,25 ponto percentual da Selic, cujo valor foi fixado em 14,75% ao ano. A medida era amplamente esperada pelo mercado, notadamente depois do início da guerra no Oriente Médio, envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Antes da eclosão do conflito, porém, o mercado apostava em redução de 0,50 ponto percentual, número ao qual Lula também se referiu na declaração.
No comunicado em que justificou o tamanho do corte dos juros, o BC citou diversas vezes a guerra como nova e forte fonte de incertezas para a economia, em geral, e para o comportamento da inflação, em particular. Foi por isso que o Copom recusou-se a fazer alguma indicação sobre os próximos passos da política monetária, deixando em aberto se nova redução da Selic ocorrerá na próxima reunião do órgão, em 29 de abril.
Alta nos combustíveis
No evento, Lula voltou a falar sobre o preço dos combustíveis no Brasil e chamou de “bandidos” quem tem cobrado mais pelo diesel, pelo álcool ou pela gasolina nos postos, por causa da guerra no Irã.
Ele também pediu aos governadores que reduzam alíquotas de ICMS e ajudem a evitar que o impacto do conflito chegue ao prato de comida dos brasileiros.
“E veja que coisa grave: não aumentou só o preço do diesel. Aumentou o preço do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã. Aumentou o preço da gasolina, que ainda não tinha por que aumentar. Significa que neste país tem bandido que quer ganhar dinheiro até com o enterro da mãe, até com a fome dos pobres, até com a miséria dos outros”, disse Lula.
O presidente afirmou que o governo aumentou a fiscalização para coibir os aumentos abusivos que têm sido denunciados.
“Colocamos a Polícia Federal, a Receita Federal, os Procons para ir atrás de ver quem é que está aumentando, de forma abusiva, o preço do diesel. Porque não é necessário aumentar [o preço] nas bombas do [combustível vendido ao] trabalhador. Não é possível transferir para o caminhoneiro o preço da guerra do Irã.”
Lula também destacou que o governo pediu aos estados para que zerem, temporariamente, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para importação do diesel. Em contrapartida, a União propôs bancar metade da renúncia, que é estimada no total de R$ 3 bilhões por mês.
“Os governadores, Alckmin, poderiam fazer uma isenção do ICMS, poderiam fazer para não permitir o aumento. E o governo ainda se dispõe a devolver para ele metade da isenção que eles fizerem. Nós vamos pagar a metade. Vamos ver se eles vão fazer. Porque nós temos que fazer o sacrifício para tentar evitar que essa guerra do Irã chegue ao prato do feijão com arroz do povo brasileiro, ao café da manhã, à merenda de nossas crianças, é esse trabalho que nós temos que fazer”, assinalou o titular do Palácio do Planalto.
A ideia para que os estados zerem o ICMS foi proposta pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, nessa quarta-feira (18/3), durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Durigan será o novo ministro da Fazenda, no lugar de Fernando Haddad, que confirmou sua saída nesta quinta.
O governo busca conter a alta de preços em meio à guerra no Oriente Médio e evitar possível greve de caminhoneiros. A categoria tem reclamado do preço do combustível e ameaçado paralisação, alegando, também, que empresas não têm cumprido o piso mínimo do frete estabelecido pelo governo federal.
A gestão Lula prometeu endurecer a fiscalização das empresas que descumprem a regra. Na semana passada, o governo federal anunciou medidas para reduzir o impacto sobre o preço de combustíveis, como zerar as alíquotas do PIS e Cofins para o diesel.
