Dólar dispara a R$ 5,30 com petróleo e tensão pós-juros. Bolsa cai
Moeda americana chegou a subir 1% frente ao real, depois de novos ataques contra infraestrutura de energia no Oriente Médio
atualizado
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O dólar voltou a operar em alta frente ao real nesta quinta-feira (19/3). Às 9h30, a moeda americana subia 1%, cotada a R$ 5,30. Depois disso, cedeu um pouco, com elevação de 0,80%, a R$ 5,28, Na véspera, ela já havia avançado 0,90%. Por sua vez, 0 Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), desabou. Às 10h45, ele recuava 1%, aos 177,8 mil pontos, mas, antes disso, havia afundado até 176 mil pontos.
A nova arrancada do dólar foi resultado direto do agravamento dos conflitos no Oriente Médio, envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desta vez, forças iranianas atacaram instalações da maior usina de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, um dos principais exportadores mundiais do produto, além de duas refinarias no Kuwait.
Com isso, a cotação do barril do tipo Brent, que é a referência para o mercado mundial, atingiu US$ 119 durante a madrugada. Pela manhã, esse valor oscilava entre US$ 113 e US$ 115, em alta superior a 5%.
Os bombardeios contra instalações energéticas no Oriente Médio ajudaram a derrubar os mercados de capitais mundo afora. Na Ásia, a bolsa de Tóquio caiu 3,38% e, em Hong Kong, o baque foi de 2,02%. Quadro semelhante se reproduzia na Europa, tanto em Londres (-2,64%) como em Frankfurt (-2,85%), assim como nos índices futuros de Nova York.
Tensão sobre juros
Além da questão energética, o cenário econômico subiu um degrau na escala de tensão com as decisões sobre juros anunciadas na quarta-feira (18/3) nos Estados Unidos e no Brasil. Lá, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve as taxas básicas no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano.
Ambas as decisões já eram amplamente esperadas pelos agentes econômicos. O problema foi o tom duro que cercou a divulgação das medidas. Em entrevista, o presidente do Fed, Jerome Powell, condicionou novos cortes de juros a uma queda efetiva da inflação. O comunicado do Copom não orientou o mercado sobre os próximos passos da política monetária, pois atrelou qualquer decisão aos desdobramentos da guerra, o que torna inócuas as previsões, dado o grau de incertezas que cerca o conflito.
