
Denúncias de assédio eleitoral aumentam em MG mesmo com o fim das eleições
Em Minas Gerais, o número de denúncias passou de 212 para 223 de domingo até terça (27/10)

Belo Horizonte – Minas Gerais encerra o período eleitoral 2026 com 212 denúncias de assédio eleitoral, registradas até domingo (25/10). Um aumento de 102, já que até o fim do primeiro turno o Estado registrou 110 denúncias, enquanto o Brasil teve 991. E o número continua a crescer. De domingo, dia da Eleição, até terça-feira (27/10) o número de denúncias no estado chegou a 223.
Os dados foram divulgados pelo Ministério do Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG), nesta terça-feira (27/10).
Denúncias crescem mesmo com o fim do período eleitoral
As denúncias de assédio eleitoral continuam a crescer, apesar do fim das eleições. Como os dados são atualizados diariamente, até esta terça-feira (27/10), em todo o Brasil, foram recebidas 2.105 denúncias ligadas a interferência no voto de trabalhadores e em Minas o número passou para 223 queixas. Os relatos são de que os trabalhadores sofrem pressões, ameaças, constrangimentos e tentativas de interferência em suas liberdades políticas.
No estado, as denúncias são registradas em cada uma das dez Procuradorias do Trabalho nos municípios, em diferentes regiões. Em BH foram 70 denúncias; Uberlândia, 25. Carmópolis de Minas e Patos de Minas houve registro de oito denúncias em cada uma delas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesRecomendações expedidas durante o período eleitoral
Durante o período eleitoral deste ano, procuradores do Trabalho em Minas expediram 119 recomendações a empregadores para prevenir irregularidades e garantir a liberdade de voto dos trabalhadores. Em sete casos, foi necessário acionar a Justiça para impedir violações ao direito de livre escolha política.
Entre as queixas, há registros de agentes públicos e de empregadores privados pressionando trabalhadores para votarem em candidatos da sua preferência.
Sobre o teor das denúncias, de acordo com o MPT-MG é necessário analisar individualmente cada uma, mas segundo o órgão todas estão relacionadas à eleição presidencial.
“Há casos de agentes públicos mandando mensagens para servidores, recomendando voto em determinado candidato ou empregadores privados oferecendo folga em caso de vitória do candidato da preferência da empresa ou dizendo que poderá haver demissões, dependendo do resultado”, informa o órgão.
Intervenção de urgência da Justiça do Trabalho
Em Minas, segundo o MPT-MG foram expedidas 118 recomendações a empregados em todo o estado, mas em sete ocorrências de assédio eleitoral foi necessária a atuação da Justiça do Trabalho.
- Bom Despacho: na cidade do Centro-Oeste de Minas, houve denúncia de ato de campanha eleitoral dentro de uma fábrica de calçados, no primeiro turno;
- Belo Horizonte: na capital, uma empresa do setor de locação de transportes prometeu folga aos funcionários, caso determinado candidato fosse eleito em primeiro turno;
- Capinópolis: no Triângulo Mineiro, funcionários foram obrigados a substituir o uniforme vermelho por camisetas da Seleção Brasileira;
- Monsenhor Paulo: no Sul de Minas, houve indícios de que uma siderúrgica realizou atividade político eleitoral nas dependências da empresa. Durante a apuração dos fatos, os trabalhadores ficaram receosos em colaborar com as investigações, por medo de represália.
Preservação dos direitos de trabalhadores
Durante o processo eleitoral de 2026, uma atuação institucional entre o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Ministério Público Eleitoral (MPE) foi reforçada por meio de campanhas, conscientização de trabalhadores e empregadores com relação ao assédio eleitoral.
“A campanha ampliou a divulgação de informações sobre o tema, incentivou denúncias e reforçou uma mensagem central: a escolha política pertence exclusivamente ao eleitor”, cita o MPT-MG.
De acordo com o órgão, “a liberdade de voto continua sendo um desafio para as relações de trabalho e para a preservação dos direitos fundamentais dos trabalhadores”.
