Um dia após a eleição, explodem denúncias de assédio eleitoral ao MPT
O recorde ocorre em momento no qual surge nas redes sociais um movimento que incentiva empresários a demitir eleitores de Lula
26/10/2026 19:35, atualizado 26/10/2026 19:44

O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou um recorde de denúncias de assédio eleitoral nesta segunda-feira (26/10), um dia após o término das Eleições de 2026.
O Metrópoles apurou que o órgão recebeu 140 relatos sobre a conduta caracterizada pela utilização da posição de poder para constranger, ameaçar, influenciar ou manipular a liberdade do voto ou a escolha política do trabalhador.
O recorde ocorre em momento no qual surge nas redes sociais um movimento que incentiva empresários a demitir funcionários que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente da República neste domingo.

Receba no seu email as notícias da coluna Grande Angular
Frequência de envio: Diário
Ver todasO registro do alto número de denúncias em um só dia, após o pleito, difere do que ocorreu nas Eleições de 2022, quando o pico de relatos de assédio eleitoral ocorreu entre o primeiro e o segundo turno.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularO procurador Igor Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, ressaltou à coluna que o assédio eleitoral não termina com o encerramento da votação.
“Estamos acompanhando com muita preocupação o crescimento das denúncias após as eleições, especialmente diante de manifestações que incentivam a demissão de trabalhadores em razão de suas escolhas políticas”, informou.
O procurador enfatizou que “a liberdade política é um direito fundamental e que nenhuma pessoa pode ser punida ou discriminada por seu voto”. “Tanto os empregadores que praticarem dispensas discriminatórias quanto aqueles que incentivarem esse tipo de conduta poderão ser responsabilizados. O Ministério Público do Trabalho continuará atuando para prevenir e combater essas práticas, inclusive após o encerramento do processo eleitoral”, declarou.
O MPT ressaltou, nas redes sociais, que “o voto é livre e secreto”. “Ninguém é obrigado a revelar em quem votou, e ninguém pode ser punido pela escolha que fez. Quem sofreu ou presenciou esse tipo de pressão pode denunciar pelo site do MPT, de forma remota e sigilosa. Guardar provas como prints, áudios, mensagens e nomes de testemunhas ajuda na apuração”, orientou.


