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Antes de o evento começar, o clima ainda é um pouco formal. Quem se conhece, conversa entre si. Desconhecidos dividindo mesas se apresentam, polidamente, mas sem muito papo: a regra da noite é falar inglês e, no início, muitos ficam constrangidos por causa da pronúncia com sotaque. Mas basta o vinho entrar para as línguas se soltarem.

Na última terça-feira (29/5), o IVV Swine Bar testou um novo formato: no projeto Let’s Talk, em parceria com a Escola de Conversação, os clientes pagam por um menu fechado de três pratos, harmonizados com vinho e bastante conversa. A proposta é realizar o serviço totalmente em inglês, misturar desconhecidos nas mesas e colocá-los em uma situação mais parecida com a vida real do que é proposto em salas de aula.

“Queremos criar situações significativas, como num restaurante gringo de verdade. No método tradicional, muita gente não se sente à vontade para falar. Num ambiente informal, fica mais fácil”, defende o proprietário da escola, Hugo Crema.

A proposta do professor de inglês animou bastante Eduardo Nobre, um dos proprietários da casa. O sommelier viveu nos Estados Unidos por muitos anos, onde trabalhou em diversas cozinhas. “O meu inglês está um pouco enferrujado, mas foi bom pela lembrança. Gostei de ver o burburinho nas mesas vizinhas, o pessoal achou que aqui só tivesse gringo”, se diverte. A ideia é repetir a dose a cada dois meses.

Entre os clientes, uma dupla formada por mãe e filha: a aposentada Divina Bessa e a química Caroline Seidler. Um pouco tímida no começo, Divina logo perdeu a vergonha do sotaque e fez questão de aprender novas palavras. “Decidi procurar aulas de inglês. Eu entendo tudo, mas, na hora de responder, me complico. Preciso conversar mais”, analisa a aposentada. Carolina sabia que a mãe ficaria inibida e achou melhor acompanhá-la. “Eles conseguiram unir vinho, comida e prática [do idioma]. Você se sente como se estivesse no exterior”, comenta.

Aos interessados na proposta, não é preciso esperar 60 dias: outras iniciativas similares acontecem semanalmente na cidade. O grupo mais ativo é o Clube Poliglota Brasil, presente em quase todos os estados brasileiros. Em Brasília, as reuniões são semanais e acontecem em quatro bairros diferentes (veja serviço). Além do inglês, idiomas como o francês, italiano, espanhol e alemão são praticados.

“Em geral, os cursos de idioma são muito focados na gramática e tem pouca conversação. Nesses encontros, temos a oportunidade de dialogar sobre qualquer assunto, fora do contexto da sala de aula. Vêm estrangeiros, com diferentes sotaques, misturamos níveis de aprendizado… É uma oportunidade muito rica de praticar a língua”, garante a coordenadora do projeto na capital, Luciana de Vasconcelos.

É tempo de Copa
O Miríade Speakeasy testou e comprovou: noites dedicadas à prática de idiomas são sucesso entre os clientes. Além do estímulo à conversação, a casa experimentou alguns formatos divertidos. No dia do inglês, teve um quiz sobre super-heróis, valendo um drinque. Quando falaram italiano, fizeram um bingo no idioma.

“No dia de praticar o russo, achamos melhor fazer um teste sobre a cultura do país. Não deu para falarmos somente o idioma, porque é uma língua que poucos brasileiros dominam”, lembra André Jorge, proprietário do estabelecimento.

E, por falar em Rússia, a Copa do Mundo vem aí. Para celebrar o evento, a organização elegeu quatro idiomas para fazer eventos temáticos no período: espanhol, árabe, russo e francês. “A proposta é fazer noites focadas em uma só língua, com atividades que estimulem as pessoas a falarem. Já aconteceu de a gente pedir a quem falasse português, que colocasse uma moeda no pote. Se a pessoa não entende, traduzimos. Mas o pessoal aprende rápido: no dia do francês, fizemos um bingo e, no final, todo mundo havia entendido como a numeração funciona no idioma”, garante Jorge.

Clube Poliglota Brasil
Às segundas-feiras, no Laap Costumbres Argentinas (Rua 14 Norte, esquina com a Avenida Castanheiras, Águas Claras)
Às quartas-feiras, na Pizzaria Integralle (412 Norte)
Às quintas-feiras, no Ready Beef (Sudoeste, Quadra 303)
Às sextas-feiras, no Don Durica (409 Sul)
Sempre às 19h30. Entrada franca. Classificação indicativa livre

Noites de idiomas na Copa 2018
9 de junho, noite espanhola com apresentação de dança flamenca. Entrada: R$ 15
16 de junho, noite árabe com apresentação de dança árabe. Entrada: R$ 15
30 de junho, noite russa. Entrada franca
7 de julho, noite francófona. Entrada franca
Sempre às 20h. Classificação indicativa livre