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Pela W3, só dá para ver uma fachada branca, o número 37 identificando o espaço e um segurança. Chama muito mais atenção a alaranjada fachada de uma escola de idioma. O silêncio só é quebrado pelo som sertanejo do bar em frente. Por volta das 20h, várias pessoas começam a chegar e conversar com um homem vestindo roupas pretas. Para alguns, a porta abre.

Essa rotina se repete todas as sextas-feiras e sábados. Quem observa do lado de fora fica curioso, afinal, durante a abertura da porta, só é possível ver uma sala comercial à meia-luz, com várias cadeiras em cima da mesa. Nada indica que ali funciona o Miríade Speakeasy, um bar secreto localizado no subsolo de um escritório de arquitetura.

O segurança pergunta uma senha aos clientes desse clube escondido (a senha para acesso, alterada semanalmente, é divulgada pelas redes sociais). Em seguida, caminhamos entre os móveis, até uma escada. Lá, uma iluminação vermelha ao fundo e uma “teia” com barras de alumínio dão as primeiras pistas do estabelecimento oculto.

O bar secreto foi idealizado pelo arquiteto André Jorge, inspirado por clubes descolados dos Estados Unidos e da Europa. Miríade é uma homenagem à avó, fã da palavra de origem grega e que significa pluralidade. Speakeasy faz referência à época da Lei Seca norte-americana, quando os estabelecimentos de bebidas alcóolicas precisavam contar com a discrição dos clientes.

Vinícius Santa Rosa/ Especial para o Metrópoles

André Jorge trouxe o conceito dos bares descolados dos EUA a Brasília

 

“Vi que a cidade mudou muito nos últimos três anos. Por isso, pensei em algo diferente, e os clientes estão gostando bastante”, explica o André Jorge, que também assina a carta de drinques da casa. Foi ele o responsável pela decoração: uma mistura de elementos clássicos com leituras do cyberpunk.

Entre quadros barrocos, sucatas de computadores e manequins, o bar ganha formas de local intimista. “São peças familiares misturadas com coisas que fazem uma composição bacana. Fico o tempo todo mudando as coisas e bolando novos objetos e espaços”, conta o inquieto proprietário.

 

Drinques e petiscos
A mistura de clássicos e futuristas se estende à carta de drinques. O Cosmopolitan (vodca, cointreau, suco de cranberry e limão), um dos ícones da coquetelaria, custa a partir de R$ 19. A casa também oferece Mojito (rum e hortelã) ao preço de R$ 14.

 

O lado inventivo aparece em outras preparações, como o Mate-me, Por Favor (R$ 29), um mix de bourbon, chá-mate, cointreau, mel e hortelã. Outro drinque que chama atenção é CachAÇAÍ (R$ 9), uma aguardente feita à base da tradicional fruta do Norte.

Vinícius Santa Rosa/ Especial para o Metrópoles

Bramble (R$ 22): gin, xarope de amora e limão

 

“Lá fora, bar não serve comida, apenas petiscos. Em alguns lugares, tem somente uns amendoins. Trouxemos essa ideia e investimos num cardápio enxuto, com receitas familiares e produtos de fornecedores de qualidade”, ressalta André.

Os preparos da família são o quibe assado (R$ 20) – no Miríade, nada é frito –, bolinho de carne e trigo com bastante tempero, e o Atayef (R$ 12), uma panqueca de queijo com cobertura de açúcar e limão. Os dadinhos de tapioca acompanhados de geleia de pimenta (R$ 25) e o queijo camembert servido com cesta de pães (R$ 40) completam as opções.

Vinícius Santa Rosa/ Especial para o Metrópoles

Carta de drinques mistura clássicos com receitas modernas

 

Outras possibilidades
O Miríade Speakeasy tem capacidade para 30 pessoas sentadas e 55 em pé. O atendimento pode ser feito nas mesas ou diretamente no balcão.

O local disponibiliza ainda espaço para apresentações musicais e teatrais, mas sem programação fixa. “Há música de todos os estilos juntamente com um projetor que passa uma compilação de filmes clássicos e modernos”, finaliza o dono.

Miríade Speakeasy
Na 711 Norte, Bloco C, Loja 37. Sextas e sábados, a partir das 20h. Senha pelo Instagram do bar