Empório Iracema: bar cervejeiro com espaço para bons drinques

A casa é uma excelente opção para quem gosta de cervejas artesanais e deseja fugir do óbvio

atualizado 23/12/2017 9:26

Vinicius Santa Rosa/Metrópoles

Brasília tem ganhado um ótimo circuito de cervejarias, naturalmente impulsionado pela corrente febre da cerveja artesanal – a reboque da expansão dos pequenos e ousados fabricantes locais. Podemos estar diante apenas de um fenômeno comercial efêmero, embora acredite que há muito a se explorar nesse filão.

Difícil prever o quanto o brasileiro de um modo geral conseguirá ficar pagando mais caro – para beber melhor, evidentemente. Mas o fato é que seja em um botequim endossado pela Ambev ou uma tap house com lettering em giz, a cerveja tem protagonismo absoluto em qualquer rota etílica que traçarmos por aqui. A missão da vez: desvendar os melhores destinos.

Cervejarias não são todas iguais, mas falta uma característica importante de uma modo geral: a versatilidade no serviço de bar, que seja capaz de também apresentar uma carta de drinques minimamente decentes, por exemplo.

Tenho conhecido bons lugares por aqui. Há o Santuário, que trabalha há bom tempo com o modelo de tap, a Taverna em Águas Claras, a I Love Beer na Asa Norte, a Corina circulando no seu beer truck, o pessoal da Criolina que funciona num esquema diferentão com evento + baladinha… por aí vai. Mas vamos aqui falar de uma casa com conceito e ótimo serviço de bar, para além do universo cervejeiro: Empório Iracema, na 116 Norte.

Um lugarzinho pequeno, com pouco mais de 20 lugares. De fato, estamos diante de um empório. Frios no balcão principal, prateleiras com molhos e pastas, vinhos etc… No bar, a coquetelaria surpreende. Não esperava topar com ótimos drinques num bar cervejeiro. Há uma longa carta de clássicos, produzidos com matéria-prima de qualidade e divididos pelo destilado principal da mixologia.

Vinicius Santa Rosa/Metrópoles
Tábua de frios para dividir

Comecei por um refrescante gim tônica de pepino mais alecrim feito com Hendricks (R$ 35). Minha companhia preferiu explorar as combinações com uísque (R$ 24 qualquer uma delas). Esta é uma bebida subutilizada por essas bandas para fins de drinque. Ótimas pedidas. Raras vezes encontramos numa carta um Mint Julep, ainda mais um tão bem feito, muito embora usasse hortelã no lugar da menta. O John Collins, mais comum, leva Jim Bean e equilibra-se bem na combinação cítrica à base de limão.

Ainda vale ressaltar a ótima proporção, sem frescurada de espuma de gengibre, da versão do Iracema para o moscow mule (R$ 24), o antiquado coquetel da caneca de cobre que voltou a ser tendência em todo canto.

Dentre os coquetéis da casa, as invenções da própria equipe não se saem tão bem como no repertório clássico. A maior parte delas é elaborada com o fiu-fiu, uma espécie de licor frutado (que pode ser das mais diversas frutas). Se bem usado, como todo ingrediente, pode render combinações sensacionais. O Geraldo (R$ 22), por exemplo, mistura Jack Daniels com maracujá e fiu-fiu de cajuzinha, mas pesa a mão na fruta e no açúcar. Não sobra quase nada para o licorzinho. Se sai melhor a Eulália, com vodca mais limão e xarope de framboesa.

No menu, produzido pela equipe da proprietária Giovana Lima, escapa-se ao domínio das frituras ou das carnes encontradas em bares de cerveja – evita a paupérrima relação da bebida com petiscos oleosos. Nada contra um bom pastelzinho ou uma linguicinha, mas vale reconhecer o esforço de quem busca oferecer algo fora da caixinha.

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Com o rol de produtos disponíveis no próprio empório, o cardápio cria possibilidades fora dos lugares-comuns. Claro que há uma ou outra obviedade, a exemplo dos dadinhos de tapioca com geleia de pimenta. Longe de se apresentarem com alguns dos melhores que você pode encontrar por aí, ao menos chega quentinho e com alguma crocância.

Se for de grupo, prefira comecar pelas tábua de degustação (R$ 68), que reúne os principais acepipes da cozinha. Estão ali um espetinho de queijo de cabra com tomate mais manjericão, bruschettas bem temperadas mas que poderia levar um pão de maior qualidade, sanduíxe de peito de peru com abacaxi e mostarda, uma quantidade absurda de fatias de queijo mineiro d’Alagoa e o saboroso fior di latte (mussarela de búfala fresquíssima).

Felipe Menezes/Metrópoles

 

Suficiente para duas pessoas, o sanduíche Clara (R$ 25) leva queijo Tomme, presunto Parma, rúcula e cebola caralemada em um bom pão tipo australiano — acompanha chips de batata. De sobremesa, a cheesecake custa dolorosos R$ 17 a fatia, com boa cremosidade (embora um tanto mais gelada que o ideal) e pode acompanhar calda do dia (a de goiabada considero doce demais).

Mas a  ênfase do Empório Iracema está mesmo nas cervejas artesanais. São cerca de 200 rótulos exclusivamente nacionais. Não espanta hoje termos no Brasil tão prolífica produção, mas achei bem ousada uma casa dedicar-se ao produto nacional. Aliás, há um espaço enorme para a comercialização de brejas locais: Corina, Tortuga, Jinbeer, Cerrado Beer…

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Na torneira, apenas dois chopes se revezam diariamente. Da última vez que fui experimentei a UEPA!, da cervejaria Embuarama. Uma IPA formidável, com o amargor característico e bem equilibrada, muito conhecida dos frequnetadores da pizzaria Entre Amigos, na Quituart (Lago Norte). O preço ali varia a depender do rótulo acoplado. Pode ser pedido em 200ml, 300ml ou 400ml.

O cliente, contudo, pode escolher entre as cervejas dispostas na prateleira. Há uma dificuldade aqui em manter a constância das temperaturas – uma vez que cada bebida (ou ao menos cada estilo) dispõe de um particular grau ideal para o consumo. Ao final, a temperatura é regulada na intuição mesmo.

Mas, neste ambiente, à meia-luz, com uma música em volume agradável e boa seleção de bebidas, a casa concentra uma versatilidade rara de se encontrar nos bares de rua da cidade — sobretudo para quem busca aquela informalidade e nem sempre está afim de tomar um bom dry martini num restaurante pomposo. Espero que inspire novas inciativas.

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