Artigo: o futuro da alimentação é vegan?

Com o constante crescimento dos adeptos a essa dieta e o recente aumento dos preços da carne, cabe a reflexão

JillWellington/PixabeyJillWellington/Pixabey

atualizado 06/12/2019 20:34

O veganismo tem avançado no mundo todo e isso é percebido em diversos atos. Cada vez mais as pessoas estão procurando por produtos sem insumos de origem animal. Muitos, incluindo a sociedade vegana, vêem essa tendência como um indício de que o futuro é vegano. Eu discordo, mas é indiscutível que há uma mudança.

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Primeiro há a questão da saúde. É de consenso na medicina que o consumo exagerado de carne vermelha está associado a doenças cardiovasculares e outros males. A alta ingestão de proteínas, também pode trazer problemas aos rins e fígado. Muitas pessoas estão reduzindo a presença deste tipo de alimento visando a própria saúde.

Há também o debate a respeito da preservação. A pecuária é responsável por grande parte do desmatamento e desperdício de água (no geral, mas existem exceções, inclusive carne com selo agroflorestal), e pessoas com maior consciência ambiental têm reduzido ou eliminado produtos de origem animal de suas dietas, visando contribuir para o meio ambiente.

Outro fator que obviamente contribui para a mudança de hábito é a preocupação com o bem estar animal. Já listei aqui algumas questões envolvidas na criação e abate de animais em geral e esse tipo de informação acaba sensibilizando o comensal. Eu mesmo parei de consumir ou utilizar em eventos vitelo ou galináceos que não sejam de criação livre, por exemplo.

Temos ainda a situação econômica. Carnes de tipos variados têm enfrentado um aumento de preço significativo e não há previsão de recuo. Inevitavelmente grande parte da população passa a, mesmo que contra a vontade, mudar os hábitos alimentares. Isso somado a uma maior variedade de substitutos da proteína animal chegando aos mercados, até mesmo emulando sua textura e sabor.

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Concluo deixando também o óbvio: o brasileiro consome em média quase o dobro de carne vermelha que deveria por ano (cerca de 39 kg, quando o recomendado é 26 kg) , e isso considerando que consumimos, além dela, uma quantidade superior de frango (46 kg ao ano), evidencia que estamos comendo muito mais proteína animal do que o organismo precisa.

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Somando todos esses fatores, ao que tudo indica, veremos sim uma redução no consumo de carne e derivados animais, mas não vejo como uma total abdicação destes, apenas uma mudança de hábito. Isso fica ainda mais evidente na parte da confeitaria, pouquíssimos comensais (e profissionais) estão dispostos a explorar o lado vegano desta.

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