Três boas cervejas de inverno para espantar o frio brasiliense

Estilos como IPA, RIS, porter e bock estão entre os mais indicados para quando a temperatura cai: graduação alcoólica elevada

Rodrigo Poncinelli/DivulgaçãoRodrigo Poncinelli/Divulgação

atualizado 18/06/2019 9:14

O clima frio, com temperaturas abaixo de 10ºC, não pede apenas grandes clássicos como vinho e fondue. Algumas cervejas, bem diferentes das que estamos habituados em terras tropicais, atendem muito bem a essa demanda: são bebidas de alto teor alcoólico, encorpadas e geralmente servidas um pouco mais quentes para os padrões brasileiros. Russian Imperial Stout (RIS), bock, porter e a hypada India Pale Ale (IPA) são alguns exemplos de bons copos a serem degustados em bares especializados.

Esse estilos “de frio” nasceram, pudera, em terras geladas. A RIS é um exemplo perfeito: no século 18, fabricantes ingleses elaboraram a bebida para ser vendida à corte da rainha Catarina II da Rússia. É encorpada, de aspecto licoroso, bastante amarga e com um dulçor que equilibra a bebida. Geralmente, a graduação alcoólica do líquido gira em torno de 9%, ou seja, é um estilo a ser saboreado lentamente, quase como um vinho.

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A Petroleum é uma RIS brasileira disponível no Beer Club, na Asa Sul

O que faz a cerveja ser apropriada às baixas temperaturas não é, no entanto, o fato de ser servida quente ou seu sabor caramelado. O sócio do Beer Club Eduardo Meira dá a dica: “É justamente o alto nível alcoólico que faz com que seja uma boa para o frio. Um copo de RIS de fato te deixa confortável nesse tempo, principalmente se harmonizado com chocolate”.

Na casa da Asa Sul, a dica é pedir uma garrafa da Petroleum, da cervejaria mineira Wäls. “Na minha opinião, é a melhor RIS do Brasil”, garante o empresário. A choperia ainda oferece, na torneira, uma porter da gaúcha Heilige: a cerveja escura tem aroma de café, malte, caramelo e chocolate e graduação alcoólica de 6,5%. Apesar de ser mais leve que a colega de Minas, é para ser servida entre 8°C e 12°C.

Sazonalidade

No Teta Cheese Bar, as cervejas são distribuídas em quatro torneiras de forma a permitir uma sazonalidade na carta de chopes. A casa sempre oferece uma IPA e pilsen e, nas outras duas opções, geralmente uma sour e alguma com maior teor de malte. “O estilo dessa última chopeira varia bastante, pode ser uma double imperial stout, uma bock, ou até mesmo uma inglesa não muito alcoólica. Assim, conseguimos fazer um controle mais preciso de sabores procurados a cada época do ano”, explica o sócio da casa André Vasquez.

Atualmente, a pedida é a Yeti, uma RIS da fabricante americana Great Divide. “Esse é um dos estilos mais alcoólicos, mais torrados. É uma cerveja bem aveludada, bastante achocolatada no sabor e na cor”, descreve Vasquez. Para quem não gosta muito de chope, a casa disponibiliza unidades engarrafadas da bebida, além de outros perfis indicados para tempo frio.

Questionado sobre a temperatura da cerveja, o empresário promete: os aromas e os sabores do líquido realmente se realçam em temperaturas mais elevadas. “Eu recomendo provar em taça, porque o cliente vai aquecendo o líquido com o toque da mão. Assim, a percepção dos aromas é maior porque eles são volatilizados com o tempo”, garante.

Ciência da breja

Quando o proprietário da cervejaria brasiliense Embuarama, Eduardo Neves, terminou seu mestrado, não poderia imaginar que o estudo resultaria em uma cerveja meses depois. Ao apresentar em um congresso seu trabalho sobre cervejas envelhecidas em madeiras brasileiras, foi instigado pelos colegas a criar um sabor a ser lançado no Piri Bier 2018, um festival cervejeiro na cidadezinha goiana. Nasceu aí a Tanoa, uma wood aged.

“Faltavam só três meses para o festival, e eu não queria topar porque era uma cerveja de guarda, achei que não daria certo. Um amigo, Eduardo Martins, ficou no meu pé e eu resolvi fazer. Montamos o produto em um dia só e eu me arrisquei. Deu muito certo, acho que porque tínhamos muito embasamento científico para fazer”, lembra o cervejeiro.

A Tanoa tem 9% de graduação alcoólica e é maturada em castanheira, bálsamo e jequitibá. “Como tem um teor alcoólico mais elevado, ela dá uma esquentada no corpo, é quase um vinho. Acabamos desenvolvendo uma série de cervejas de guarda, para frio, pensadas para envelhecer na madeira mesmo”, comemora Neves.

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