Primeiro dia da SIC 2019 discute tendências do mercado do café

Com palestras sobre consumo de café no Brasil e no mundo, evento reuniu grandes nomes da cadeia nacional de produção

Raimundo Sampaio/Esp. MetrópolesRaimundo Sampaio/Esp. Metrópoles

atualizado 21/11/2019 12:06

Belo Horizonte (MG) – O primeiro dia da Semana Internacional do Café 2019 (SIC) reuniu palestras e debates sobre o futuro do consumo da bebida no Brasil. Entre produtores, estudiosos e donos de estabelecimentos, a principal discussão foi sobre como equilibrar o interesse do brasileiro pelo café de qualidade com o preço que o manejo mais cuidadoso do grão exige.

“O café vive hoje o mesmo momento que aconteceu com as cervejas há cinco anos. É um consumidor que ama a bebida, que não vive sem, mas também é alguém que não bebe o líquido frio, que faz café demais, deixa na garrafa térmica e joga fora depois de um tempo. Existe uma desconexão com o campo, com a torra, e a percepção do consumidor final, que desperdiça a bebida porque desconhece a cadeia”, comentou Raquel Muller, diretora de cafés da Nestlé, em painel promovido pelo evento. Para ela, o papel da indústria é acelerar essa percepção na população em geral.

Divulgação
Além das palestras e oficinas, torrefações e fabricantes de máquinas expõem seus produtos aos frequentadores

O Brasil é o maior consumidor de cafés quentes do mundo: a partir de 2014, o país atingiu essa marca, quando o mercado americano voltou os olhos para as versões geladas da bebida. A gerente de pesquisas da Euromonitor, Angélica Salado, apresentou alguns dados intrigantes em sua palestra: o brasileiro bebe cerca de 890 xícaras de da bebida por ano, um número cerca de cinco vezes maior que a média mundial.

“O crescimento do consumo do líquido no Brasil é baseado em preço: não é necessariamente a escolha pelo produto mais barato, mas a busca por um patamar de preço condizente com a qualidade. É justificar o valor de maneira objetiva ao consumidor”, afirmou Salado. Segundo ela, todas as faixas populacionais estão em busca do consumo consciente, mas menos de 10% dos brasileiros estão dispostos a pagar o preço do produto sustentável.

A expansão do café especial para além das cafeterias especializadas foi tema de painel na feira: donos de restaurantes compareceram para compartilhar as experiências de atingir um consumidor que não é necessariamente um coffee lover. “Optamos por poucos métodos, porque o cliente não quer, depois de uma refeição inteira, ficar escolhendo método, grão… A gente se ateve ao que acreditamos: café de qualidade”, contou Karina Barretto, do restaurante Futuro Refeitório, em São Paulo.

Tenho certeza de que o consumidor não quer ser enganado. Quando tirei o refrigerante do cardápio, acharam que seria um problema, mas não foi, assim como não é problema eu não ter cafés de grandes indústrias ou de cápsula. Acredito que quando você tem credibilidade no mercado e não se vende a nenhuma marca, o consumidor vai ao restaurante pela experiência que você proporciona

Janaína Rueda, proprietária do Bar da Dona Onça, em São Paulo
Competição

Durante a SIC, acontecerão três campeonatos oficiais: o de Barista, o de Preparo de Café e o de Prova. O primeiro dia reuniu as apresentações de metade dos competidores de cada categoria, e os outros vão se apresentar nesta quinta (21/11/2019). Os finalistas serão anunciados ao final do dia e, na sexta (22/11/2019), vão disputar o pódio.

A barista Mariana Mesquita, do Bike Brew, é a única brasiliense a competir no Campeonato Brasileiro de Preparo de Café e reuniu uma boa torcida de Brasília durante a apresentação na tarde do primeiro dia de SIC. Usando o coador Gem, em formato de diamante, ela extraiu um café da Serra do Caparaó para os jurados, enquanto falava sobre sua verdadeira paixão: servir a bebida na cafeteria.

A repórter viajou para o evento a convite da SIC.

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