Conheça os escritores brasileiros que se destacaram em 2020
Djamila Ribeiro, Itamar Vieira Junior, Emicida, Cida Pedrosa e outros autores para continuar seguindo em 2021
atualizado
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Foi um ano conturbado para a cultura, incluindo o segmento literário. Para além da crise do mercado editorial, agravada pela pandemia de Covid-19, o setor assistiu o vaivém da Secretária da Cultura e se viu em meio à Reforma Tributária de Paulo Guedes, que pode acabar com a isenção fiscal dos livros, garantida constitucionalmente.
Por outro lado, o hábito de ler cresceu entre os brasileiros, evidenciando a importância da arte em momentos de incerteza e medo. Eventos tradicionais, que fomentam a difusão literária no país, resistiram ao isolamento no formato on-line, e garantiram o devido reconhecimento aos autores e suas obras.
O mercado global de livros feitos para as telas também viveu uma retomada desde que as pessoas passaram a evitar sair à rua por causa do novo coronavírus. O crescimento previsto é de 12,4% no faturamento anual do setor em relação a 2019.
Outros acontecimentos também tiveram impacto no comportamento do consumidor, como os protestos antirracistas que tomaram as ruas de Nova York e algumas capitais brasileiras. Nos EUA, obras com a temática passaram a liderar as vendas na Amazon. O reflexo dessa tendência também pode ser observado no Brasil, com Djamila Ribeiro sendo uma das únicas brasileiras a figurar na lista dos mais vendidos, com seu Pequeno Manual Antirracista.
A filósofa paulista também se destacou no Prêmio Jabuti, que esse ano seguiu a tendência de reconhecer obras com temáticas associadas ao racismo e à desigualdade social, assim como autores negros e de origem periférica. Ela foi vencedora na categoria Ciências Humanas.
Além de Djamilla, o mais tradicional prêmio da literatura brasileira consolidou o sucesso do baiano Itamar Vieira Júnior, ganhador dos prêmios Leya e Jabuti e finalista do Oceanos, com Torto Arado. Foi o ano do autor que, antes do romance ambientado no interior da Chapada Diamantina, na Bahia, no período pós-escravidão, havia escrito outros dois livros, sem gerar alarde.
Torto Arado, no entanto, virou um clássico instantâneo, abordando para além da relação entre duas irmãs marcadas por um acidente, a luta por moradia e alimento herdada pelos descentes de escravos. Uma temática importante ainda hoje para a compreender a gênese das desigualdades racial e social no Brasil.
Seguindo uma temática semelhante, Solo para Vialejo, da poeta sertaneja Cida Pedrosa, publicado pela Cepe Editora, foi eleito livro do ano pelo Jabuti. Na cerimônia apresentada pela jornalista Maju Coutinho, Cida falou sobre a obra. “É um livro sobre nossas negritudes várias, nossas indigenices várias, nossas branquitudes, em busca da música, em busca de mim e das minhas raízes sertanejas”, explicou.
No campo da Literatura Infantil, Emicida também surpreendeu. O cantor, documentarista e escritor infantil lançou em 2020 seu segundo livro, E Foi Assim Que Eu e a Escuridão Ficamos Amigas, e também consta na concorrida lista de best-sellers da Amazon.
Para ler em 2021
Para além dos autores citados, a lista de contemporâneos brasileiros que merecem atenção — e pode entrar no rol de premiados — é extensa. O Metrópoles elenca, abaixo, sete destaques para não perder de vista em 2021 e suas mais recentes obras.













