Silêncio e dor em missa de 7º dia de vigilante esquartejado no DF

Marcos Aurélio Rodrigues de Almeida foi assassinado apos uma suposta emboscada feita pela ex-namorada

André Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 15/11/2019 22:19

Amigos e familiares de Marcos Aurélio Rodrigues de Almeida, 32 anos, se reuniram, nesta sexta-feira (15/11/2019), para rezar pelo vigilante brutalmente assassinado e esquartejado no último sábado (09/11/2019). Durante a missa de sétimo dia, a noiva, Francisleide Braga de Sousa, 38, e a mãe da vítima, Sonia Maria Rodrigues de Almeida, se emocionaram e foram amparadas por parentes. Ainda abaladas, elas preferiam ficar em silêncio.

A cerimônia religiosa ocorreu na Paróquia Jesus de Nazaré, em Samambaia, cidade onde Marcos morava com a família. Um dos momentos de maior comoção entre os presentes se deu durante o sermão do padre Lucas Gonçalves. O pároco aproveitou a oportunidade para criticar a violência no Distrito Federal. “A palavra de Deus diz que, nos últimos tempos, quando estivermos nos aproximando do juízo final, o amor esfriaria e a maldade se multiplicaria”.

“O coração humano está tomado pela maldade, pois as pessoas estão deixando Deus de lado. Sem ele, o homem vira um animal. Aqueles que cometem atos de extrema crueldade demonstram a falta de Deus. Peço para que, mesmo diante deste cenário, não percamos a fé”, disse

Enterro

O segurança privado ainda não foi enterrado porque a família aguarda a localização de outras partes do corpo, o que aumenta a angústia e o sofrimento dos parentes. “O que gente está esperando é que eles [os suspeitos] falem. Procurar, a polícia procurou. Faltam a coxa e a cabeça”, comentou a noiva da vítima, a brigadista Francisleide Braga de Sousa, 38.

“Graças a Deus, a polícia já prendeu os suspeitos de terem matado ele. O que a gente quer é justiça. Por que não pode ficar impune um crime tão bárbaro por um motivo tão torpe. Uma coisa que não tinha necessidade, motivo nenhum para causar a morte dele”, destacou a noiva, que tinha casamento marcado com a vítima para janeiro de 2020.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga se Marcos foi assassinado na residência onde o casal* suspeito morava, na QR 325 de Samambaia. Segundo as investigações, o segurança particular foi assassinado no sábado (09/11/2019), após cair em uma suposta emboscada armada pela ex.

Residência

Com autorização do proprietário, o Metrópoles teve acesso ao imóvel na manhã dessa quinta-feira (14/11/2019). O local passou por perícia, mas ainda há vestígios de sangue em alguns pontos, como embaixo do tanque na área externa.

Panos ensanguentados também foram deixados no local. Desde terça-feira (12/11/2019), quando o casal foi preso, não tem mais ninguém no endereço. Apenas uma gata foi deixada no local. No terreno, há a casa principal e uma outra no fundo. O proprietário do imóvel disse que havia alugado a residência para o casal morar com a filha da mulher, uma adolescente, há cerca de um ano.

Eles diziam ser primos. “Moraram juntos na residência principal de novembro do ano passado até junho deste ano, quando ela pediu que liberasse a casa dos fundos para o homem ficar lá e ela ter mais privacidade com a filha. Desde agosto, eu não recebo os aluguéis. Já estava tendo problemas. Agora, irei à Justiça para saber o que fazer com os objetos deixados no imóvel”, destacou.

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“Quando entrei, senti cheiro forte na parte dos fundos. Havia muita sujeira em todos os cômodos, além de sangue. Desde que eles foram levados, a casa ficou trancada. Ninguém mais apareceu por aqui”, afirmou o proprietário.

À polícia, o suspeito confessou o crime e disse que a ex de Marcos Aurélio não teve participação direta no brutal assassinato. A suspeita, porém, é a de que eles tenham matado o vigilante a facadas, esquartejado o corpo e espalhado as partes nas redondezas. Elas foram achadas na QR 327, que fica a 500 m da residência onde o casal morava. Os policiais também encontraram membros nas QRs 125 e 325, a cerca de 1,1 km no local.

Mensagens

A noiva do vigilante afirma que ele e a suspeita do assassinato trocaram mensagens via WhatsApp e Instagram dias antes do crime cruel. Francisleide Braga de Sousa disse que conheceu Marcos em 2017, quando começaram a se relacionar. Após ficarem noivos, neste ano, eles terminaram em agosto e reataram em outubro.

“Sinceramente, não tenho absolutamente mais nada para falar com você. Espero que tenha a decência de não atrapalhar minha relação, pois faço o possível e o impossível para não deixar que mais nada atrapalhe o nosso amor, meu e da Fran, ok? Passar bem”, escreveu Marcos, em mensagem direcionada à suspeita.

“Nesse meio tempo, ele tinha ficado com essa mulher, que já era amiga dele, mas não tenho conhecimento de onde. Soube pelo Marcos que ela passou mal cerca de um mês depois que terminamos e foi internada”, lembra Francisleide. “A filha dela teria ligado para ele buscá-la em casa e levá-la ao hospital. Ele cuidou dela. Como estávamos sem compromisso, Marcos me disse que tiveram um relacionamento curto, de aproximadamente 15 a 20 dias.”

Ao reatar o relacionamento com Francisleide, diz a brigadista, Marcos trocou mensagens com a mulher para dizer que amava a noiva, e não poderiam continuar conversando. “Ele não teve uma vida dupla. Isso nunca aconteceu. Eu vi as mensagens. Ele explicava que me amava muito e não queria ninguém por agora. Ela também dava conselhos para ele, e os dois acabaram se envolvendo momentaneamente. Quando voltamos, eles já haviam terminado tudo.”

Em um áudio enviado para a mãe, Sônia Maria Rodrigues de Almeida, 56, Marcos explica que a mulher tinha conseguido o telefone da mãe para chegar a ele de outra forma, uma vez que o vigilante bloqueou a ex-namorada em todas as redes sociais. “Eu ouvi. Ele dizia: ‘Mãe, não dá conversa para ela. Ela está chateada comigo porque eu terminei para ficar com a Fran. Ela vai ficar inventando um monte de conversa com o nome da minha noiva. É ela que eu amo e com ela é que vou ficar”, relatou a noiva da vítima.

Ouça a conversa entre Marcos e a mãe:

Veja as mensagens entre Francisleide e Marcos, e entre o vigilante e a suspeita:

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O homem e a mulher tiveram a prisão temporária decretada por 30 dias, na quarta-feira (13/11/2019).

A polícia diz que as partes do corpo da vítima estão sendo examinadas pela equipe de médicos-legistas do Instituto Médico Legal (IML) e da seção de antropologia da PCDF. “Ainda serão realizados exames de DNA no morto. Até o momento, não consta registro de localização da cabeça da vítima. As diligências prosseguem objetivando localizá-la. A autoridade policial da 32ª DP aguarda o resultado dos exames periciais para instrução do inquérito policial que apura o crime”, ressaltou a corporação, por meio de nota, nesta quinta. O corpo não foi liberado.

(*) Por serem considerados suspeitos, o Metrópoles, por enquanto, não vai divulgar os nomes dos dois.

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