Sangue é encontrado na casa de suspeitos de esquartejar vigilante

Com autorização do dono, o Metrópoles entrou no imóvel onde Marcos Aurélio teria sido morto e cortado em pedaços

Material cedido ao MetrópolesMaterial cedido ao Metrópoles

atualizado 14/11/2019 12:22

A Polícia Civil investiga se o vigilante Marcos Aurélio Rodrigues de Almeida, 32 anos, foi assassinado na residência onde o casal* suspeito morava, na QR 325 de Samambaia. Com autorização do proprietário, o Metrópoles teve acesso ao imóvel na manhã desta quinta-feira (14/11/2019). O local passou por perícia, mas ainda há vestígios de sangue em alguns pontos, como embaixo do tanque na área externa.

Panos ensanguentados também foram deixados no mesmo local. Desde terça-feira (12/11/2019), quando o casal foi preso, não há mais ninguém no endereço. Apenas uma gata foi deixada no local. No terreno, há a casa principal e uma outra no fundo. O proprietário do imóvel disse que havia alugado a residência para o casal morar com a filha da mulher, uma adolescente, há cerca de um ano.

Eles diziam ser primos. “Moraram juntos na residência principal de novembro do ano passado até junho deste ano, quando ela pediu que liberasse a casa dos fundos para o homem ficar lá e ela ter mais privacidade com a filha. Desde agosto, eu não recebo os aluguéis. Já estava tendo problemas. Agora, irei a Justiça para saber o que fazer com os objetos deixados no imóvel”, destacou.

“Quando entrei, senti cheiro forte na parte dos fundos. Havia muita sujeira em todos os cômodos, além de sangue. Desde que eles foram levados, a casa foi trancada. Ninguém mais apareceu por aqui”, afirmou o proprietário.

À polícia, o suspeito confessou o crime mas disse que a ex de Marcos Aurélio não teve participação direta no brutal assassinato. A suspeita, porém, é a de que eles tenham matado o vigilante a facadas, esquartejado o corpo e espalhado as partes nas redondezas. Elas foram achadas na QR 327, que fica a 500 m da residência onde o casal morava. A polícia achou outros membros nas QRs 125 e 325, a cerca de 1,1 km no local.

A noiva do vigilante afirma que ele e a suspeita pelo assassinato trocaram mensagens via WhatsApp e Instagram, em outubro, dias antes do crime cruel. A brigadista Francisleide Braga de Sousa, 38 anos, relatou que conheceu Marcos em 2017, quando começaram a se relacionar. Após ficarem noivos, neste ano, eles terminaram em agosto e reataram em outubro.

“Sinceramente, não tenho absolutamente mais nada para falar com você. Espero que tenha a decência de não atrapalhar minha relação, pois faço o possível e o impossível para não deixar que mais nada atrapalhe o nosso amor, meu e da Fran, ok? Passar bem”, escreveu Marcos em mensagem direcionada à suspeita.

“Nesse meio tempo, ele tinha ficado com essa mulher, que já era amiga dele, mas não tenho conhecimento de onde. Soube pelo Marcos que ela passou mal cerca de um mês depois que terminamos, e foi internada”, lembra Francisleide. “A filha dela teria ligado para ele buscá-la em casa e levá-la ao hospital. Ele cuidou dela. Como estávamos sem compromisso, Marcos me disse que tiveram um relacionamento curto, de aproximadamente 15 a 20 dias.”

Ao reatar o relacionamento com Francisleide, diz a brigadista, Marcos trocou mensagens com a mulher para dizer que amava a noiva, e não poderiam continuar conversando. “Ele não teve uma vida dupla. Isso nunca aconteceu. Eu vi as mensagens. Ele explicava que me amava muito e não queria ninguém por agora. Ela também dava conselhos para ele, e os dois acabaram se envolvendo momentaneamente. Quando voltamos, eles já haviam terminado tudo.”

Em um áudio enviado para a mãe, Sônia Maria Rodrigues de Almeida, 56, Marcos explica que a mulher tinha conseguido o telefone dela (mãe) para chegar a ele de outra forma, uma vez que o vigilante bloqueou a ex-namorada em todas as redes sociais. “Eu ouvi. Ele dizia: ‘Mãe, não dá conversa para ela. Ela está chateada comigo por que eu terminei para ficar com a Fran. Ela vai ficar inventando um monte de conversa com o nome da minha noiva. É ela que eu amo e com ela é que vou ficar”, relatou a noiva da vítima.

Ouça a conversa entre Marcos e a mãe:

Veja as mensagens entre Francisleide e Marcos, e entre o vigilante e a suspeita:

Emboscada

Inconformada com o fim do relacionamento, a ex-namorada de Marcos teria decidido matá-lo. Segundo as investigações conduzidas pela PCDF, a mulher armou uma emboscada para a vítima e, com a ajuda de um homem, esfaqueou e depois esquartejou o segurança particular. O crime brutal teria ocorrido no sábado (09/11/2019). A 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) tenta descobrir as circunstâncias que levaram o suspeito a aceitar o convite para cometer a barbárie.

O homem e a mulher tiveram a prisão temporária decretada por 30 dias, na quarta-feira (13/11/2019). Marcos Aurélio teria, no sábado, após voltar do trabalho, supostamente passado na casa da acusada. Para encobrir o assassinato, os pedaços do corpo foram colocados em sacos plásticos e descartados em locais distintos de Samambaia Sul.

A polícia diz que as partes do corpo da vítima estão sendo examinadas pela equipe de médicos legistas do IML e da sessão de antropologia da PCDF. “Ainda serão realizados exames de DNA no morto. Até o momento, não consta registro de localização da cabeça da vítima. As diligências prosseguem objetivando localizá-la. A autoridade policial da 32ª DP aguarda o resultado dos exames periciais para instrução do inquérito policial que apura o crime”, ressaltou a corporação, por meio de nota, nesta quinta. O corpo não foi liberado.

(*) Por ainda serem considerados suspeitos, o Metrópoles, por enquanto, não vai divulgar os nomes dos dois.

 

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