Vigilante pediu à ex, suspeita de matá-lo, para deixá-lo em paz

Noiva de Marcos Aurélio afirma que viu diálogos entre os dois que mostram o fim do relacionamento: "Ele não tinha vida dupla"

Reprodução/Internet

atualizado 14/11/2019 11:28

A noiva do vigilante Marcos Aurélio Rodrigues de Almeida, 32 anos, morto e esquartejado, em Samambaia Sul, afirma que ele e a suspeita pelo assassinato trocaram mensagens via WhatsApp e Instagram, em outubro, dias antes do crime cruel. A brigadista Francisleide Braga de Sousa, 38, relatou que conheceu Marcos em 2017, quando começaram a se relacionar. Após ficarem noivos, neste ano, eles terminaram em agosto e reataram em outubro.

“Sinceramente, não tenho absolutamente mais nada para falar com você. Espero que tenha a decência de não atrapalhar minha relação, pois faço o possível e o impossível para não deixar que mais nada atrapalhe o nosso amor, meu e da Fran, ok? Passar bem”, escreveu Marcos em mensagem direcionada à suspeita.

“Nesse meio tempo, ele tinha ficado com essa mulher, que já era amiga dele, mas não tenho conhecimento de onde. Soube pelo Marcos que ela passou mal cerca de um mês depois que terminamos, e foi internada”, lembra Francisleide. “A filha dela teria ligado para ele buscá-la em casa e levá-la ao hospital. Ele cuidou dela. Como estávamos sem compromisso, Marcos me disse que tiveram um relacionamento curto, de aproximadamente 15 a 20 dias.”

Ao reatar o relacionamento com Francisleide, diz a brigadista, Marcos trocou mensagens com a mulher para dizer que amava a noiva, e não poderiam continuar conversando. “Ele não teve uma vida dupla. Isso nunca aconteceu. Eu vi as mensagens. Ele explicava que me amava muito e não queria ninguém por agora. Ela também dava conselhos para ele, e os dois acabaram se envolvendo momentaneamente. Quando voltamos, eles já haviam terminado tudo.”

Em um áudio enviado para a mãe, Sônia Maria Rodrigues de Almeida, 56, Marcos explica que a mulher tinha conseguido o telefone dela (mãe) para chegar a ele de outra forma, uma vez que o vigilante bloqueou a ex-namorada em todas as redes sociais. “Eu ouvi. Ele dizia: ‘Mãe, não dá conversa para ela. Ela está chateada comigo porque eu terminei para ficar com a Fran. Ela vai ficar inventando um monte de conversa com o nome da minha noiva. É ela que eu amo e com ela é que vou ficar”, relatou a noiva da vítima.

Ouça a conversa entre Marcos e a mãe:

Veja as mensagens entre Francisleide e Marcos, e entre o vigilante e a suspeita:

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Emboscada

Inconformada com o fim do relacionamento, a ex-namorada de Marcos decidiu matá-lo. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a mulher armou uma emboscada para a vítima e, com a ajuda de um homem, esfaqueou e depois esquartejou o segurança particular. O crime brutal teria ocorrido no sábado (09/11/2019). A 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) tenta descobrir as circunstâncias que levaram o suspeito a aceitar o convite para cometer a barbárie.

O homem e a mulher tiveram a prisão temporária decretada por 30 dias, na quarta-feira (13/11/2019). Marcos Aurélio teria, no sábado, após voltar do trabalho, supostamente passado na casa da acusada. Para encobrir o assassinato, os pedaços do corpo foram colocados em sacos plásticos e descartados em locais distintos de Samambaia Sul.

Por ainda serem considerados suspeitos e não terem confessado participação no esquartejamento, o Metrópoles, por enquanto, não vai divulgar os nomes dos dois.

Mensagem de luto

A mulher detida e apontada pela PCDF postou, na terça-feira (12/11/2019), mensagens de luto pela morte de Marcos Aurélio. No Facebook, ela escreveu “Inacreditável”. A palavra era acompanhada de emojis de choro com uma foto em preto e branco.

Na quarta-feira (13/11/2019), ao tomarem conhecimento da prisão da mulher, dezenas de pessoas foram ao perfil da suspeita para xingá-la. Veja algumas das mensagens abaixo:

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Na madrugada de quarta-feira (13/11/2019), a PCDF encontrou uma coxa que pertenceria a Marcos, na Quadra 325. Estava em um beco no Conjunto 2 da quadra. Outras partes de Marcos Aurélio foram localizadas desde o início da semana. O tronco do segurança estava em um saco de lixo localizado na manhã de terça (12/11/2019), em um bueiro na QR 327. Nessa segunda-feira (11/11/2019), foram achados os braços e as pernas (abaixo do joelho). A cabeça ainda não foi encontrada.

“Rapaz trabalhador”

Sônia havia construído uma casa para Marcos e a irmã, Marcele. O vigilante, com casamento marcado para janeiro de 2020, iria morar no imóvel. “Não deu tempo”, lamenta-se a mãe. “A gente estava fazendo planos para o casamento, para comprar os móveis. A falta que ele está fazendo abriu um rombo no coração da família toda”, confirma Francisleide Braga de Souza, 38, noiva da vítima.

“Marcos era responsável, não vinha de malandragem. Estava trabalhando. Era de casa para o trabalho. Não era de sair e não tinha inimigos”, aponta Sônia. “Um rapaz trabalhador, um pai honesto, um filho digno. Não tinha inimizade com ninguém”, garante a noiva.

Uma vizinha que não quis se identificar confirma a fama de bom moço de Marcos. “Ele era bom como vizinho e não merecia isso que aconteceu. Eu falava direto com a mãe dele. Aquele menino era tudo para a mãe dele”, diz.

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Investigações

O casal suspeito de matar Marcos teria usado um objeto extremamente afiado para esquartejar o vigilante. Fontes policiais confirmaram à reportagem do Metrópoles que, pelas características dos ferimentos, os autores da barbárie produziram cortes “precisos e limpos”. Segundo as investigações, o segurança particular foi assassinado no sábado (09/11/2019), após cair numa suposta emboscada armada pela ex-namorada.

Nesta quinta-feira (14/11/2019), equipes da 32ª DP farão uma varredura nos endereços onde partes do corpo de Marcos foram localizadas. O objetivo é reconstituir a dinâmica do homicídio, praticado com requintes de crueldade. Durante as diligências, os policiais vão em busca de câmeras de residências e estabelecimentos comerciais que possam contribuir com a elucidação do caso.

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