Noiva de vigilante: “A cada parte, perdemos um pedaço da gente”

Francisleide e Marcos se casariam em janeiro de 2020. Desde segunda-feira, partes do corpo da vítima têm sido encontradas em Samambaia

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atualizado 13/11/2019 11:27

Parentes e amigos do vigilante Marcos Aurélio Rodrigues de Almeida, morto e esquartejado em Samambaia Sul, dizem que não vão descansar enquanto não encontrarem o responsável pelo crime cruel. O rapaz, 32 anos, manteve contato com a mãe na manhã desse sábado (09/11/2019). Na segunda (12/11/2019) e na terça-feira (13/11/2019), partes do corpo dele foram encontradas em sacos plásticos em quadras diferentes da cidade.

Ao Metrópoles, a noiva de Marcos, Francisleide Braga de Souza, 38, afirmou que a família quer justiça, custe o que custar. “A situação é triste demais, a família inteira está arrasada. A cada parte do corpo dele que é encontrada, nós perdemos um pedaço da gente”.

“Tenho confiança na justiça de Deus e tenho fé que vamos encontrar quem fez isso”, continuou Francisleide (na foto em destaque, ao lado de Marcos). A noiva disse que o filho do vigilante, 9, ficou sabendo da morte do pai nesta terça-feira. E caiu em choro. “Contamos para ele. Não é uma coisa boa para se falar. Ele chorou o dia todo dizendo que queria o pai. Está muito triste”.

Franscisleide e Marcos se conheciam do trabalho e estavam com casamento marcado para janeiro de 2020. Eles namoravam há dois anos e estavam noivos havia sete meses. Para ela, não havia motivo para o vigilante sofrer esse tipo de crueldade. “Ele era muito tranquilo com todos que conhecia e nunca fez nada de mal a ninguém. Estamos arrasados e vamos atrás de justiça”.

Beco

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) encontrou partes de um corpo humano em um saco plástico de lixo na QR 325, na noite dessa terça-feira (13/11/2019). Estava em um beco no conjunto 2 da quadra, e a 32ª DP confirmou que pertencem a Marcos Aurélio.

Antes, o tronco do segurança estava em um saco de lixo localizado nesta terça-feira (12/11/2019), em um bueiro na QR 327. Na segunda (11/11/2019), foram achados os braços e as pernas. A cabeça ainda não foi encontrada. As roupas da vítima foram apreendidas para exame pericial.

Nessa terça-feira (12/11/2019), ao Metrópoles, a irmã de Marcos disse que o corpo estava a cinco quadras do local onde ele morava. A família informou que o segurança desapareceu quando voltava do trabalho, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), e seguia rumo à Rodoviária do Plano Piloto. No terminal, pegaria um ônibus de volta para casa.

O homem deixa um filho e uma noiva. “Ele mandou mensagem para a mãe pela última vez às 8h30 de sábado [09/11/2019], informando que estava indo do SIG para a Rodoviária do Plano Piloto. Depois disso, não apareceu em casa nem manteve nenhum tipo de contato”, destacou a irmã.

De acordo com a noiva, os pés e as mãos eram parecidos com os do segurança. “Além disso, tem uma cicatriz no antebraço direito idêntica a dele”, lamentou. Segundo ela, Marcos não tinha inimigos nem qualquer tipo de desavenças.

Comunidade assustada

Na região, moradores estão muito assustados com o crime. Juliane Rodrigues, que vive há 27 anos na comunidade onde o corpo foi encontrado, afirmou que o crime foi brutal e desumano. “Fiquei abismada com o que ocorreu aqui, porque nunca vi nada parecido. Quando a gente vê esses crimes na TV, encaramos como algo distante que não vai acontecer por perto. Por isso, fiquei surpresa”, opinou.

“Aqui é uma região tranquila na medida do possível, mas, como em todo lugar, tem seus perigos. Já vi muitos casos de assalto nas paradas de ônibus e pequenos furtos. Do jeito desse crime, porém, nunca tinha visto”, lembrou Juliane.

Gilson Itacarambi, 35, acredita que a violência na região tenha se tornado rotineira. “Eu vejo com muita preocupação porque estamos percebendo um aumento na violência de forma generalizada. Moro aqui há mais de 15 anos e nunca vi um crime dessa forma”, afirma. Segundo ele, havia confronto entre gangues rivais, mas que isso não acontecia há algum tempo.

“Diminuiu e, hoje em dia, tem pouco. Já vi registros de pequenos furtos ao comércio e de pessoas com celular na mão. Quem mora por aqui não se assusta mais porque nos acostumamos com essa violência. Porém, mesmo assim, esse crime assusta pela brutalidade”, conta Gilson.

Perícia

O cadáver, segundo apurou o Metrópoles, foi deixado no bueiro de cerca de 3 metros de profundidade há poucos dias. Após a coleta de digitais e exame de DNA, o Instituto de Medicina Legal (IML) confirmou a identidade da vítima.

Rosemberg Silva, 51, mora em uma chácara perto do terminal. Para ele, a região é segura. “Vivo há dois anos e meio aqui. Todo dia faço o trajeto do terminal até a minha casa e nunca foi perigoso. Meu filho também anda por essa região às 23h e nunca aconteceu nada com ele. É o primeiro caso que vejo de violência, mas acho que nem aconteceu aqui, devem ter cometido o crime em outra região e só desovado o corpo aqui”, destacou.

O comerciante Abimael Victor, 41, diz que a região merece atenção das autoridades da área de segurança. “É muito isolado e com pouca iluminação. Fiquei muito surpreso com essa história do corpo, porque nunca tinha visto nada com essa crueldade toda”, assinalou.

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